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21 de abr. de 2008

MEDALHA DE SÃO BENTO

São Bento é representado segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges; e, na outra mão, a cruz.
Ao redor do santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece:
EIUS * IN * OBITU * NRO * PRAESENTIA * MUNIAMUR
"Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte"
São Bento servia-se do sinal da cruz para fazer milagres e vencer as tentações. Daí veio o costume, muito antigo, de representá-lo com uma cruz na mão.
Através dos séculos, foram cunhadas medalhas de são Bento de várias formas.
Desde o século XVII, começaram-se a cunhar medalhas, tende de um lado a imagem do santo com um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento das quais são Bento saiu milagrosamente ileso.
O outro lado da medalha apresenta uma cruz e entre os seus braços estão gravadas as iniciais C S P B do latim: Crux Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai Bento".
Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais:
C S S M L - Crux Sacra Sit Mihi Lux
ANa haste horizontal:
N D S M D - Non Draco Sit Mihi Dux
No alto da cruz está gravada a palavra
PAX
H S)A partir da direita de PAX estão as iniciais:
V R S N S M V - Vade Retro Sátana Numquam Suade Mihi Vana
S M Q L I V B - Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas
Requisitos para o uso da medalha
São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos a esta medalha. Contudo, a medalha não age automaticamente contra todas as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica. Todo cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.
O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha, não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de são Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias. A medalha concede, também, graças especiais para a hora da morte, pois são Bento com são José são padroeiros da boa morte.
Para se ficar livre das ciladas do demônio, é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo todos os deveres religiosos: oração, missa dominical, recepção dos sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.
Em resumo, o efeito da medalha de são Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados.

CORPOS INCORRUPTOS

corpo de Santa Bernadete


Corpo de São João Corpo de Santa Clara Corpo de São Vicente

No livro do Eclesiastes, se lê esta frase: "Lembra-te que és pó. E ao pó retornarás". Além de lembrar ao homem sua condição perecível e transitória, esta sentença recorda a aniquilação física, a decomposição do organismo, após a morte. A realidade é constatada quase universalmente. Digo quase universalmente, por se darem exceções, embora raríssimas, de não decomposição física. Exceção esta conhecida pelo nome de incorrupção.

Santa Bernadete Soubirous 1844 - 1879
A incorrupção é a preservação do corpo humano da deteriorização que comumente afeta todo organismo poucos dias após a morte. É evidente que são excluídas as mumificações, as saponificações e outros processos químicos de preservação dos corpos dos mortos; pois seriam incorrupções artificiais.O primeiro documento de autenticidade indiscutível que relata uma Incorrupção, data do século IV e é redigido por Paulino, secretário de Santo Ambrósio, Bispo de Milão: este documento é redigido em forma de carta dirigida ao Bispo de Hipona, Santo Agostinho. Paulino descreve o descobrimento feito por Ambrósio: 'Por este tempo,
ele (Ambrósio) encontrou o corpo do mártir Nazário que se encontrava enterrado num jardim fora da cidade de Milão; recolheu o corpo e o transladou para a Basílica dos Apóstolos. No túmulo foi encontrada a cabeça que fora decepada pelos inimigos, em perfeito estado, como se tivesse apenas sido colocada junto ao corpo, do qual emanava sangue vivo e uma fragrância que superava todos os perfumes'. Tinham transcorrido 200 anos do martírio.Mais preciso e mais digno de crédito é o relato de Eugippius acerca do corpo de São Severino, bispo de Noricum, morto em 482. Seis anos após sua morte, o corpo foi encontrado incorrupto. Embora existam muitos outros casos a partir do século IV até o século XVI, interessam-nos mais as preservações a partir do século XVI, por possuirmos fontes históricas mais comprovadas e mais fidedignas.Em 19 de outubro de 1634, falecia a Madre Inês de Jesus, priora de Langeac. Seu corpo, sem sofrer qualquer processo de extração de entranhas ou de embalsamento, foi sepultado na sala capitular, ao lado de outros membros da comunidade. Passados alguns anos, o Sr. Bispo, em vista do processo de Beatificação, ordenou que seus restos fossem exumados. O corpo foi encontrado sem sinal de decomposição. Transladações e verificações foram realizadas até o ano de 1770. Em 1698 e 1770, cientistas, cirurgiões e médicos declararam que humanamente, a preservação do corpo era inexplicável.São Vicente de Paula faleceu em 1660, para atender aos pedidos de canonização a exumação do corpo foi feita em 1712, depois de mais de 50 anos de sua morte. Aberto o túmulo, na expressão de uma testemunha ocular 'tudo estava como quando foi enterrado'. Quantos puderam vê-lo, observaram que seu corpo estava em perfeitas condições e os médicos atestaram que o corpo não podia ter sido preservado por meio natural algum, durante tanto tempo.A beata Maria Ana de Jesus, terciária da ordem de Nossa Senhora da Redenção, nascida em Madrid e falecida na mesma cidade em 1642; teve o corpo preservado da decomposição. Pouco depois de sua morte, o Cardeal Treso, Bispo de Málaga e presidente da Castela; que a conhecera pessoalmente em vida, no processo de beatificação, declara ter estado presente na primeira exumação e afirma: 'Eu ví e me assombrei ao presenciar que o corpo morto há anos, sem que tivessem sido retiradas as vísceras ou embalsamado, pudesse estar tão perfeitamente conservado que nem sequer o abdômen e nem as faces oferecessem sinal de deteriorização, com exceção de uma mancha nos lábios, embora esta já a tivesse em vida'.Em 1731, tendo já transcorridos 107 anos da morte da Serva de Deus, teve lugar uma inspeção oficial e mais completa, por ordem das autoridades eclesiásticas interessadas na causa da Beatificação. Os restos mortais se apresentavam suaves, flexíveis e elásticos ao tacto. Esta investigação teve lugar em Madrid, tendo sido fácil reunir médicos e peritos. Nove professores de medicina e cirurgia tomaram parte nas investigações e depuseram como testemunhas. Foram feitas incisões na parte carnosa e no peito; foram estudados os orifícios naturais por onde poderiam Ter sido introduzidos preservativos contra a putrefação. Foi uma verdadeira dissecação.
Após completar as investigações, os médicos declararam:
"Os órgãos internos, as vísceras e os tecidos carnosos, estavam todos eles intactos, sãos, úmidos e elásticos".Baseada nesse testemunho, a Congregação dos Ritos aceitou a preservação como fato milagroso, apesar de 35 anos mais tarde, antes que fosse publicado o decreto de beatificação, uma terceira inspeção revelasse que na oportunidade, o corpo já não era mais flexível e brando. Os tecidos tinham endurecido, mas não estavam decompostos.

São Vicente de Paula1580 - 1660
Uma outra narração nos chama a atenção; é a do mártir jesuíta André Bobola, que tendo combatido com sua palavra, os cismáticos russos, tornando-se conhecido como o "apóstolo de Pinsk", atraiu o ódio de seus adversários, os cossacos; e foi submetido a um cruel martírio. Em mãos dos cossacos, e recusando-se a aceitar o cisma russo, foi açoitado, ultrajado de uma maneira incrível. Foi praticamente esfolado vivo, cortada uma mão, enfiados estiletes de madeira por debaixo das unhas, arrancada sua língua, e sua fisionomia tão deformada que mal parecia homem. "Sangrava, afirmava uma testemunha, como um boi no matadouro".
Após horas de tormento, saciados já os sanguinários e dando apenas sinais de vida, desferiram-lhe um golpe de espada na garganta. Após jogar o deformado cadáver numa esterqueira, retiraram-se os cossacos e os católicos recolheram os restos mutilados e os enterraram às pressas na cripta da Igreja dos Jesuítas, em Pinsk.Quarenta e quatro anos mais tarde, o reitor do colégio dos jesuítas de Pinsk, por uma visão ou sonho que acreditou ser sobrenatural, fez uma investigação para encontrar o corpo do mártir. Foi encontrado, segundo todas as aparências, exatamente no mesmo estado em que fora depositado: com as mutilações, continuava integro e incorrupto; as articulações continuavam flexíveis; a carne, nas partes menos afetadas pelas mutilações era elástica e o sangue que cobria o cadáver parecia recém-coagulado. O último exame ordenado pela Santa Sé, teve lugar em 1730 - setenta anos depois da morte. Seis eclesiásticos e cinco médicos mantiveram as declarações anteriores. Também eles declararam que o corpo, exceto as feridas causadas pelos assassinos, estava intacto; a carne conservava-se flexível e que sua preservação não poderia ser atribuída a uma causa natural. Em 1835, a preservação do corpo foi aceita pela Congregação dos Ritos, como um dos milagres exigidos para a beatificação. Segundo testemunhas, nenhum corpo dos depositados na cripta onde se encontrava o corpo de André Bobola foi preservado.Não se pode afirmar que tal fato pertença somente aos séculos passados; Santa Madalena Sogia Barat, fundadora da sociedade do Sagrado Coração, faleceu em 1865; vinte e oito anos mais tarde, seu corpo foi encontrado quase perfeitamente inteiro, embora o ataúde estivesse parcialmente podre e recoberto de mofo. Imunidade idêntica foi outorgada a João batista Vianney, o célebre Cura De Ars que morreu em 1859 e foi beatificado em 1905. Idêntico privilégio coube à vidente de Lourdes, Bernardete Soubirous; faleceu em 1879 com a idade de 34 anos. Em 1909, passados 30 anos, o corpo foi exumado e uma testemunha afirma: "Não havia o menor indício de corrupção. Seu rosto aparecia levemente escurecido e os olhos um tanto afundados, parecendo estar dormindo". O corpo foi novamente encerrado num ataúde juntamente com um informe do estado em que foi encontrado.

Santa Clara de Assis1194 - 1253
Poderíamos continuar a enumerar fatos, mas os já citados são suficiente para dar um idéia do fenômeno da incorrupção e sua inexplicabilidade. Digo inexplicabilidade, porque, apesar de existirem outros tipos de incorrupção, não coincidem com a exposta. Corrupção total do corpo e preservação integral de certos órgãos. Se a preservação total ou parcial da corrupção de alguns corpos é um assunto intrigante para a ciência e enigmático também para a Igreja, para a qual a simples constatação da incorrupção não é critério de santidade, e portanto, milagre evidente, muito mais intrigante e enigmática é a preservação de um
determinado membro de um corpo que foi reduzido a pó. Será, logicamente, muito mais difícil para a ciência encontrar uma explicação para tal preservação e um caminho muito mais aberto e claro para a Igreja afirmar o fato como miraculoso.Nenhum exemplo poderia ser mais sugestivo para discernir a Providência Divina do que a preservação parcial do coração de santa Brígida, da língua de Santo Antonio, de São João Nepomuceno e da beata Batista Varani.Santa Brígida, da Suécia faleceu em 23 de julho de 1373. Seus restos mortais foram exumados; tudo estava reduzido a pó encontrando-se o coração incorrupto.A atitude da Igreja Católica mostrou-se sempre muito cautelosa perante fatos inusitados, inclusive perante a incorrupção dos corpos de pessoas santas. Num levantamento feito pelo competente e autorizado estudioso de Parapsicologia, Pe. Herbert Thurston, S.J, com 42 santos célebres por sua vida, obra e santidade, entre os quais muitos foram encontrados incorruptos depois de anos, assevera o mesmo autor que nenhum deles foi canonizado por ter sido preservado da corrupção.Há aqueles que afirmam que a sobriedade na comida e na bebida, característica de todos os ascetas, podem modificar completamente as condições do metabolismo normal e tende a aliminar certa classe de micróbios que são mais ativos no processo de putrefação; poderíamos replicar que existem muitas pessoas pobres ou doentes ou por opção que são abstêmias, e uma vez mortas, a lei da decomposição as acompanha normalmente.A experiência comum mostra que não concorrendo condições extremas excepcionais, por exemplo, um frio intenso, a decomposição chega, mais cedo ou mais tarde e que antes de passados 15 dias da morte, são visíveis os primeiros sinais.E o problema tornar-se-á ainda mais insolúvel para o cientista ao constatar que as incorrupções são verificadas em místicos e santos (em ambiente religioso).Muitos segredos da natureza já foram desvendados, dado o contínuo progresso das diversas ciências. Há outros, entretanto, que são indecifráveis porque não só superam as forças e leis da natureza, como também, e isto é significativo, são característicos do catolicismo, e só dele.

São João Vianey
1786 - 1859
Não consta historicamente, apesar de aprofundadas pesquisas na procura, que pessoas de outros credos e em qualquer outro tempo, tenham manifestado ausência de rigidez cadavérica. No catolicismo, ela é exclusiva de pessoas que em vida, manifestaram uma santidade excepcional, mas não de todos os grandes santos, pois nenhum milagre tem regras fixas. O primeiro caso de que temos notícias data de 1160 e
a primeira pessoa em que foi verificado foi Rainerio de Pisa. Quem relata o fato é um contemporâneo e,ao que tudo indica, digno de crédito. "Seus membros não demonstravam depois da morte, nenhum sinal de rigidez. Pelo contrário, conservavam-se úmidos e molhados de suor e eram tão flexíveis como os de um homem vivo".Pouco mais de meio século depois (1226), ocorreu a morte de São Francisco e Assis. O novo superior da Ordem, o irmão Elias, num comunicado aos demais confrades, descreveu minuciosamente como durante os últimos dias, Francisco era incapaz de levantar a cabeça. Seus membros "estavam rígidos como os de um morto". Mas depois de sua morte... os membros antes rígidos se tornaram flexíveis.Pelo menos 50 casos bem estudados de ausência de rigidez cadavérica existem entre santos da Igreja católica, desde o século 12 até nossos dias.Exemplos - Parece oportuno agora falar um pouco sobre o aspecto fisiológico da questão do "Rigor mortis".Thurston revisou os manuais clássicos ingleses, franceses, alemães, espanhóis e italianos sobre jurisprudência médica: "Não descobri nenhum que reconhecesse a possibilidade de alguém estar isento da rigidez cadavérica".Há alguma variação com respeito a hora do aparecimento e término da rigidez: pode variar algumas horas dependendo do clima e do continente. Para a Inglaterra, por exemplo, o Prof. Glaister declara: "Ordinariamente a rigidez começa no pescoço, mandíbula e no rosto, cinco ou seis horas após a morte. Após dez horas, abrange toda a parte superior do corpo, e doze a dezoito horas após a morte, afetará todo o corpo". Segundo E. Harnack, médico alemão, na maioria dos casos, a rigidez chega a ser completa no prazo de 5 a 6 horas após a morte."Com toda a probabilidade, a rigidez terminará na maioria dos casos, transcorridas 36 horas", dando origem à corrupção. Segundo os clássicos alemães, porém, a rigidez cadavérica dura habitualmente 72 horas.O "rigor mortis" pode demorar em aparecer até 16 horas após a morte e permanecer até 21 dias, mas ambos são casos e circunstâncias raríssimas, como determinadas substâncias usadas na medicação. Nas doenças de consumpção, de curta ou prolongada duração, a rigidez pode começar imediatamente após a morte e desaparecer logo, iniciando-se imediatamente a putrefação.O número de casos em que não se verificaram traços de rigidez cadavérica é grande para enumerar e discutir um por um.Cadáveres que destilam óleo - Surpreendente constatação: Certos cadáveres, anos após a sepultura e até séculos depois, destilam um líquido semelhante ao óleo vegetal. Outros, em idênticas condições, sem causa que o justifique, emitem água.É relativamente comum que este líquido brote de qualquer incisão feita nos corpos preservados da corrupção.Os católicos gregos, antes do cisma da Igreja oriental, tinham um nome especial para determinados e numerosos casos de cadáveres de santos: "movoblútai", isto é, "destiladores de óleo".O Papa Bento XIV exige (e garante nestes casos) para afirmar a realidade do prodígio da água e do óleo, que tenham sido removidas todas as causas naturais, como a infiltração da água ou a possibilidade de Ter sido colocado algum líquido. Os restos mortais devem ficar em lugar apropriado e completamente seco, excluindo-se qualquer possibilidade de intervenção humana.Aqui nos defrontamos com um fenômeno de todo inusitado e inexplicável para o qual a ciência não pode encontrar nenhuma explicação razoável e satisfatória, apesar de tratar-se de casos fáceis de examinar e constatar qualquer vestígio de explicação, caso esta fosse possível. A evidência do fato é indiscutível.A Parapsicologia não encontra sequer uma hipótese que possa dar uma pista ou tênue esperança de solução. A Parapsicologia no seu caminhar no estudo do maravilhoso, se defronta, uma vez mais, com o absoluto Senhor da Vida, que pode manifestar-se igualmente na morte, para testemunhar a Doutrina e santidade de seus santos.

A HUMILDADE DE SANTA CLARA




Santa Clara lavando os pés enlameados das servas que saíam do mosteiro, enxugando-os e beijando-os, de acordo com o exemplo de nosso Salvador, e às que trabalhavam dentro com obséquios mais laboriosamente, como se fosse uma serva que se paga, com toda prontidão expondo seu tenro corpozinho, às sãs, às enfermas e às débeis como se fossem suas senhoras, apresentava com todo esforço um serviço pronto e alegre, quando havia oportunidade.
Dessa forma a humilde discípula de Francisco, já feita mestra das virgens, como aprendera do santíssimo pai, parecia preferir não tanto o estar à frente quando o submeter-se, e não tanto impor às outras quanto carregar o jugo da santa obediência, como raiz de toda perfeição a humildade espontânea e em si mesma pela freqüência do exercício regava e cultivava para ajudar a plantá-la no coração das filhas pela eficácia do bom exemplo.
A pobreza evangélica, cuja herança o bem-aventurado pai deixara para os filhos em uma abundância incessante, ela, como filha legítima, não quis ficar sem a sua parte. Por isso, no início de sua conversão, a paterna herança, que a ela tinha chegado, fez ser desviada, e sem reservar nada do preço para si mesma, distribuiu tudo aos pobres.


Você conhece o Processo de Canonização de Santa Clara? Não? Pois então terá a oportunidade de paulatinamente ir lendo em nosso site alguns trechos deste Processo. O interessante é que com ele temos a oportunidade de quase “ver” as testemunhas falando sobre a santidade de Santa Clara.
A maioria das testemunhas eram clarissas que viveram durante anos com a santa no Mosteiro de São Damião, na Itália, mas também alguns leigos falaram.
Leia abaixo o testemunho sobre um pesadíssimo portão que caiu sobre Santa Clara e como ela saiu deste acontecimento completamente ilesa:
“Contou também que, tendo caído em cima de dona Clara um portão do mosteiro, que era muito pesado, uma Irmã, chamada Irmã Angelúcia de Espoleto, chamou forte, temendo que a tivesse matado, pois sozinha ela não podia levantar aquele portão, que estava inteiro sobre a senhora. Por isso a testemunha e outras Irmãs correram: e a testemunha viu que o portão ainda estava em cima dela, e era tão pesado que só três frades o puderam levantar e recolocar no lugar. Apesar disso, a senhora disse que não lhe havia feito nenhum mal, mas tinha estado em cima dela como se fosse uma coberta. Interrogada sobre quanto tempo antes tinha sido isso, respondeu que fazia mais ou menos sete anos, no mês de julho, na oitava de São Pedro.” (5ª Testemunha do Processo de Canonização (5,5) - Irmã Cristiana de Messer Cristiano de Parisse, monja do mosteiro de São Damião)

mosteiro de São Damião
“Também sobre o portão que caiu sobre a senhora e como ela não se machucou, em tudo disse o mesmo que tinha sido dito pela Irmã Cristiana, acrescentando que tinha visto quando o portão estava em cima dela.” (6ª Testemunha do Processo de Canonização (6,17) - Irmã Cecília, filha de Messer Gualtieri Cacciaguerra de Spello, monja do mosteiro de São Damião)
“A testemunha também viu quando o portão do palácio, isto é, do mosteiro, caiu em cima de dona Clara ao ser fechado. E as Irmãs pensaram que o portão a tivesse matado. Por isso começaram a chorar muito. Mas a senhora escapou sem nenhum dano e disse que de modo algum tinha sentido o peso do portão, tão pesado que só três frades puderam recolocá-lo no lugar. Interrogada sobre como sabia disso, respondeu: “Porque o vi e estava lá presente”. Interrogada há quanto tempo tinha acontecido isso, respondeu que era perto de sete anos. Interrogada sobre o dia, disse que foi na oitava de São Pedro, na tarde de um domingo.E então, quando a testemunha gritou, vieram prontamente as Irmãs e viram que o portão ainda estava em cima dela, mas a testemunha não podia levantá-lo sozinha.” (14ª Testemunha do Processo de Canonização (14,6) - Irmã Angelúcia de Messer Angeleio de Espoleto, monja do mosteiro de São Damião)
“Também disse que ela mesma, testemunha, viu o portão que caiu em cima da madre Santa Clara, quando ainda não tinha sido levantado. E referiu que Santa Clara dizia que aquele portão não lhe tinha feito mal algum, pois tinha ficado sobre ela como um manto. E a testemunha disse que o portão era muito pesado, e que ela correu com as outras Irmãs aos gritos da Irmã Angelúcia, pois todas temiam que o portão a tivesse matado. Interrogada sobre o tempo, disse que fazia uns sete anos.” (15ª Testemunha do Processo de Canonização (15,2) - No dia 28 do mês de novembro, na enfermaria do mosteiro, presentes Frei Marcos, Irmã Filipa e as outras Irmãs, Irmã Balbina de Porzano, monja do mosteiro de São Damião, fez o juramento e falou bem amplamente da santidade da vida de dona Clara e de sua grande bondade)
(tradução de Fr. José Carlos Corrêa Pedroso - www.procasp.org.br)

20 de abr. de 2008

O SÍMBOLO "TAU" EM SÃO FRANCISCO E NA HISTÓRIA

"Quando vier o Espírito Santo da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras."(Jo 16,13)
As duas línguas bíblicas originais, hebraico e grego, possuem nos seus alfabetos a letra "Tau" (T). Este sinal gráfico adquiriu ao longo dos séculos conteúdos enigmáticos e ocupou um lugar de destaque na vida e atitudes de São Francisco de Assis, que o usou frequentemente e, mais ainda, tributou-lhe uma espécie de culto.
1 - Emblema e assinatura de São Francisco
O uso do Tau por São Francisco certificado pela testemunha ocular, Frei Tomás de Celano, que assim escreve na sua obra: "...Frei Pacífico começou a ter consolações que nunca tivera. Viu, diversas vezes, coisas que ninguém mais via. Pouco tempo depois, viu São Francisco marcado na fronte com um grande Tau, que tinha a beleza de um pavão, por seus círculos multicores." (2 cel, Nº 106). O sinal do Tau era-lhe preferido acima de todos os outros: ele o utilizava como única assinatura para suas cartas e pintava-lhe a imagem nas paredes de todas as celas.
A escolha do Tau como carimbo e como emblema para a nascente Ordem dos menores indica a importância que São Francisco atribuía a este sinal. Além disso, este costume assumiu rapidamente o aspecto de culto, e isto é um fenômeno revelador, pois desvenda toda a riqueza de uma certa espiritualidade.
A dimensão devocional, quer dizer afetivo e religioso, destacou um outro biógrafo de Francisco: são Boaventura, que fala do uso do sinal em caráter de assinatura: "O tau era um sinal muito querido do Santo. Recomendava-o muitas vezes, fazia-o sobre si mesmo antes de iniciar qualquer trabalho e o escrevia de próprio punho no final das cartas que ele enviava, como se quisesse pôr todo seu empenho em imprimir esse tau, segundo a palavra do profeta (Ez 9,4), sobre a frente daqueles que gemem e choram seus pecados, de todos os verdadeiros convertidos a Cristo Jesus" (Leg. Men. Cap. 2, Nº 9).
Sintetiza-se neste pequeno escrito, ao mesmo tempo simbólico, toda a orientação do apostolado de São Francisco: "Ele mesmo o recomendava muitas vezes por palavras e o escrevia (...), como se sua missão consistisse, conforme a palavra do profeta Ezequiel. Posteriormente explicaremos o que esta frase de Ezequiel possa significar para Francisco."
Para São Francisco o Tau não era apenas a assinatura pessoal. Frei Tomás de Celano informa que o santo usava-o como marco nas portas e muros das celas dos frades. Fazendo-nos pensar no Livro do Êxodo, segundo o qual o sinal da salvação era o sangue do Cordeiro nos portais. Para nós e para São Francisco, o sangue do cordeiro é o sangue do Cristo crucificado que nos remiu.
A informação de Celano, referente às inscrições nas paredes das celas é confirmada pelas descobertas arqueológicas. Durante a renovação da Capela de Santa Madalena, em Fonte Colombo, foi encontrado, na abertura da janela, um Tau pintado em cor vermelha, ao lado do Evangelho. A pintura é dos tempos de São Francisco.
Uma rápida revista a respeito da letra Tau na vida de São Francisco seria incompleta sem mencionar um milagre depois da sua morte, operado por São Francisco. Falam disso a "Legenda Áurea", e Tomás de Celano no "Tratado dos milagres", mostrando o culto do santo para com o "sinal da salvação": "Na cidade de Cori, na diocese de Óstia, um homem tinha perdido completamente o uso da perna, e não conseguia de modo algum caminhar e mover-se. (...) Comovido com tais implorações, lembrando os favores recebidos, apareceu de repente o Santo ao homem, que nem podia dormir. Disse-lhe que veio a seu chamado trazer-lhe remédio para a cura. Tocou a parte doente com uma varinha, que portava sobre si o sinal Tau. Logo se rompeu a úlcera e, recuperada a saúde, ficou impresso naquela parte o sinal do Tau" (nº 159).
2 - Influências diretas
a - O concílio Lateranense IV
Durante o Concílio Ecumênico, realizado em Roma no ano 1215, o papa comunicou a todos os prelados ter concedido a Francisco e aos que quisessem imitá-lo, a aprovação da vida e da Regra evangélica.
É neste mesmo Concílio que aflora o simbolismo do Tau. Inocêncio III inaugura o Concílio com uma fantástica pregação que imediatamente adquire uma larga repercussão. O fio condutor são as palavras de Cristo: "Ardentemente desejei comer esta páscoa convosco"(Lc 22,15). Lembra que "páscoa" significa "passagem" e faz votos que o Concílio, a nova Páscoa, dê início à tríplice "passagem": corporal, espiritual e eterna. A "passagem" corporal seria a armada e a recuperação de Jerusalém; a "passagem" espiritual deveria ser a mudança de um estado de coisas para outra, ou seja a conversão, a reforma da Igreja universal; enfim, a "passagem" eterna significa a passagem para a verdadeira Vida, com o auxílio dos sacramentos, principalmente a Eucaristia.
A Segunda parte da pregação, referente à passagem espiritual, é o enérgico comentário ao capítulo nono do Livro de Ezequiel. O papa faz suas as palavras de Deus ao profeta: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem" (Ez 9,4), e acrescenta: "O Tau é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela afixada a placa com a inscrição de Pilatos. O tau é o sinal que o homem porta na fronte quando com todo o seu ser revela a irradiação da cruz; quando como diz o apóstolo crucifica o corpo com os seus pecados; quando diz: ‘Não quero gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo’(...). sejam portanto os mestres desta cruz!"
Assim soava o apelo, o clamor às consciências e corações para a mobilização geral, para a cruzada de conversão e penitência. Francisco acolheu este apelo. O simbolismo do Tau e as suas ligações com Ezequiel foram bem conhecidos de Inocêncio III, como também do povo da época. No seu tratado sobre o sacramento do altar, afirma que a letra Tau é o primeiro sinal no cânon da missa começa com as palavras: "Te igitur" no qual ocupa por desígnio da providência divina e não humana, toda a página, e isto tem um significado simbólico: a inicial que na sua forma gráfica lembra a cruz, é "sinal de penitência e salvação, confiado pelo Senhor ao ministério profético de Ezequiel".
A reação de Francisco à pregação de Inocêncio foi espontânea. Acatou como um apelo dirigido diretamente a ele. O papa dizia: "Alcançarão a misericórdia aqueles que usarem o Tau, sinal da vida penitente e renovada em Cristo". Francisco quis então marcar a si e aos seus frades com este sinal, que com o tempo tornar-se-á a marca da Vocação da ordem.
O tau dará o colorido a toda à espiritualidade de Francisco, que a partir de 1215 mais ainda aparecerá como espiritualidade da cruz e da salvação, o que demonstram, entre outros, as suas orações, principalmente "Ofício da Paixão do Senhor". O Tau da penitência é o tema preferido da sua pregação. Sentia-se interiormente mobilizado pelo papa a esta cruzada.
Queria que os frades propagassem entre o povo a missão da conversão evangélica, isto é, da "passagem de Cristo". O Tau da vida sacramental, principalmente da vida eucarística (terceira parte da pregação do papa Inocêncio) também será objeto das suas preocupações. "Viver em penitência e receber o Corpo e Sangue..." são dois inseparáveis conceitos que frequentemente aparecem nas cartas de Francisco, escritas depois do Concílio. Além disto, as consequências das resoluções conciliares são visíveis em muitos aspectos da vida do Santo. Por exemplo, na "Carta aos clérigos" (redação segunda), versículo 11, que fala do dever de conservar o Santíssimo em lugares dignos e sob chaves, é simplesmente a fiel reprodução do cânon do Concílio.
O Tau é também o sinal dos vitoriosos. Francisco é bem consciente disto. Primeiro prega o Tau e depois reproduz no seu corpo (estigmas) e brilha da alegria que brota do amor é a cruz.
b - Irmãos de Santo Antônio Eremita
A escolha do emblema do Tau por Francisco corresponde à linha de ação traçada pelo Concílio Lateranense. Nesta escolha influiu mais um fato determinante: o encontro de São Francisco com os Irmãos de Santo Antônio Eremita, chamados popularmente de antonianos. Para explicar isto, percorramos um caminho um tanto longo, com cuidado pelos detalhes.
A primeira questão que devemos resolver é: que lugar ocupam os leprosos na vida de Francisco. Os leprosos eram antes de tudo um mistério que Francisco observava e contemplava. O zelo por eles é o elemento constitutivo da sua espiritualidade. Para ele, como para os contemporâneos, o mistério de Cristo leproso era bem familiar e interpretado de várias maneiras: na liturgia (no ofício lia-se o cântico do Servo de Javé segundo o profeta Isaías: "Nós o reputávamos como um castigado" Is 53,4; na arte (escultura, pintura, vitrais apresentavam Cristo com traços de leproso); enfim, a literatura que expunha a famosa lenda se São Juliano Hospitaleiro, carregando nos ombros não o leproso, mas o próprio Cristo.
O fato de São Francisco chamar os leprosos de seus irmãos cristãos, decorre de um profundo e místico conceito. Viu neles o Cristo sofredor. Ele vai mais longe: da contemplação passa para a ação. O "prólogo" da conversão de Francisco é o famoso beijo depositado no rosto de um leproso.
Em Assis havia o leprosário "Casa Gualdi" sob os cuidados dos irmãos cruzados. Francisco permanecia lá e cuidava dos doentes.
Existia um hospital onde Francisco ficou por mais vezes: Hospital de Santo Antônio, em Roma. É esta a igreja que liga Francisco aos antonianos, chamados também de irmãos hospitaleiros, por serem eles os mantenedores deste hospital.
A tarefa principal dos antonianos foi cuidar dos doentes, principalmente dos leprosos.
Os antonianos tiveram o símbolo do Tau com emblema, sinal de pertencer à congregação e símbolo da vocação caritativa. Usavam a bengala, que era, na parte superior, em forma de Tau e o hábito no qual era visível este sinal... Alguns historiadores afirmam que os antonianos escolheram este sinal somente porque Santo Antônio Eremita foi representado na escultura com a bengala com uma haste vertical ou com o bastão em forma da letra Tau. A verdade é bem diferente. O culto procedia da iconografia. A aceitação do Tau, semelhança da cruz, está ligada a toda uma mística e atividade caritativa. O fato é que o Tau como símbolo da saúde entrou na consciência e na cultura religiosa do povo há muito tempo. Já em 546, durante uma solene procissão organizada por São Gall, bispo de Clermont, para afastar a peste no sul da França, nos muros de todas as casas e igrejas apareceu o "sinal reconhecido pelo povo como Tau", e a epidemia cessou. O fato é narrado pelo historiador Gregório de Tours, que vivia na época.
No encontro de São Francisco com os antonianos, em 1209-1210, é possível enxergar um importante elemento, ou talvez um primeiro estímulo que provocou no Santo a devoção para com o sinal do Tau. E tudo o que foi dito acima torna compreensível uma das tarefas que Francisco traçou para a sua ordem, isto é o cuidado terno e atento pelos infortunados e doentes: "(todos irmãos) devem estar satisfeitos quando estão no meio dessa gente comum e desprezada, dos pobres e fracos, enfermos e leprosos e mendigos de rua"(Regra não-bulada, Cap.9).
3 - Influências secundárias
Tendo já conhecido o que significava o Tau para Francisco, aprofundemos agora o sentido místico deste sinal. O esforço da pesquisa terá caráter de um tipo de "penetração" nos caminhos da tradição, sem perder de vista a finalidade principal de reconstruir uma atmosfera espiritual que envolvia São Francisco, reconstruir os elementos do seu universo, perceber, do jeito como ele e seus contemporâneos perceberam, toda a riqueza mística acumulada ao longo dos séculos, relativa ao Tau. Descobriremos conceitos, idéias, representações que perderam para nós a eloqüência, enquanto que naquele tempo eram bem familiares. O simbolismo de letras e números era compreensível a todos e era tema largamente explorado pelos pregadores, pela arte e pela literatura.
a - O simbolismo gráfico do tau
A forma gráfica da letra tau (T) tornou-se, ao longo dos séculos, a base da teologia da cruz, desenvolvida pelos judeus, Gregos e comentadores latinos.
Para os judeus, a antiga letra "T", em sua grafia primitiva, tinha a forma de cruz: "x" ou "+". A forma da letra, na escrita hebraica, sofria transformações até receber, pouco definida a forma de um pórtico. Contudo, ainda São Gerônimo (+420) sabia que o antigo sinal "T" possuía a forma de uma cruz: "Para os judeus, e também para os Samaritanos, ainda hoje o ‘Tau’, a última letra do alfabeto, tem a mesma forma da cruz que os cristãos marcam nas suas frontes e usam como proteção" (PL 25,88).
Falando em tau, que para os cristãos lembra a forma da cruz, vale a pena citar as palavras de Cristo antes de ser crucificado: "Se alguém quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mc. 8,34). Os apóstolos não podiam interpretar a frase como referência à cruz de Cristo, instrumento de castigo romano. A cruz, da qual fala o Mestre antes de ir para Jerusalém, é simplesmente o sinal da fé (atitude interior da qual a expressão externa é a imagem), quer dizer, do amor e apego à Lei (à Torah, que se inicia com a letra Tau) e sinal de ser de Deus. Somente depois da sua morte as palavras foram interpretadas à luz do sofrimento.
A comunidade cristã assimilou o Tau como cruz, mais ainda: colocou o tau em relação com a cruz de Cristo.
Para os gregos a letra tau também possuía a forma de cruz. A letra grega ;e formada pelo traço vertical, semelhante a letra iota (i) e pelo traço horizontal chamado "Kereia". Por isto muitas vezes à luz da cruz foram interpretadas as palavras de Jesus: Passarão o céu e a terra, antes que desapareça um Jota, um traço da Lei. (Mt 5,18)
Até para os Gregos descrentes em Cristo o Tau representava a imagem da cruz, naturalmente não a imagem da cruz de Cristo e sim, o instrumento de castigo dos escravos. Explica isto Luciano de Samosta (+ 200). Os gregos crentes e não-crentes, olhando o Tau, davam-lhe ainda outro significado, desconhecido para nós. Visualmente a letra representa a vela ou o mastro do navio. Não surpreende, então, todo este florescer "náutico" da exegese do Tau. Esta interpretação inspira-se na forma visual do sinal e é permeada da reminiscências da literatura. Recorre nela o fio da "Odisséia", que fala de Ulisses segurando desesperadamente o mastro do navio. Daí nasce a representação da cruz em relação à epopéia nacional dos gregos da cruz como a última "tábua da salvação" durante a tempestade...
Para os latinos a letra Tau não existe, mas todos os comentadores das Escrituras acolheram a tradição anterior. Os Enciclopedistas, temos p.ex. Isidoro de Sevilla (+630), os exegetas e pregadores populares basearam-se, para as suas interpretações, no fato de que a letra hebraica e grega "tau" possui a forma da cruz.
Estas considerações permitem penetrar mais profundamente na mentalidade religiosa de São Francisco. Quando falava do Tau, ele também pensava na cruz de Cristo. Espontaneamente interpretava o Tau com os seguintes conceitos: sinal e símbolo eficaz da salvação para todos os que desejam ser com ele marcados. Sabia que desta maneira seguia as pegadas de uma longa tradição, a qual ao longo dos séculos anunciava, inclusive através dos escritores não-cristãos, o Cristo Redentor e Vitorioso pela Cruz.
b - O simbolismo numérico do Tau
Tendo conhecido a grafia, a forma do Tau, passamos à aritmética, aos valores numéricos do sinal.
Para compreendermos o simbolismo aritmético, precisamos saber que nem sempre se expressavam os números com os sinais numéricos. Os antigos desconheciam os números que hoje nós usamos com herança dos Árabes. Conheciam apenas o alfabeto, para formar as palavras e para registrar os valores. Aqui está o fundamento daquele cruzamento entre as palavras e os valores numéricos, a sofisticada e enganadora acrobacia praticada pelos discípulos de Pitágoras, tão sensíveis a língua dos números. Vergílios, antes de São João, foi fascinado pelo famoso símbolo numérico 666. Até os mais simples sabiam que as letras do nome de Davi, somadas, significavam o número 14. No nome Iesous, liam 888, e em IN 13, e com tanta rapidez como hoje nós lemos valores de dezenas de milhões. Surgiu até um ramo da ciência que se dedicava a estabelecer as relações entre letras e números, oferecendo as chaves e abrindo as portas para a compreensão das alegorias aritméticas.
No alfabeto grego a letra Tau representava o valor 300. Para os cristãos do círculo da cultura grego-romana, o Tau significava ao mesmo tempo o sinal da salvação e o número 300 que ocorre na Bíblia, espontaneamente trazia à tona o Tau, colocando-o no contexto da salvação ou da vitória. Explicaremos este simbolismo aritmético nos três exemplos.
A Arca de Noé
"Deus disse a Noé: ‘Faze para ti uma arca de madeira resinada (...). E eis como a farás: seu comprimento será de trezentos côvados’". (Gen 6, 4-15)
O fragmento citado tem para muitos comentadores um profundo significado, pois permite construir a "náutica" e a simbólica numérica cristianizadas. Entregam-se, então às complicadas especulações para descobrir o sentido místico dos trezentos côvados. Orígenes explica que a arca é a balsa salvífica que prefigura a cruz salvadora, pois o número 300 é igual a Tau, que é igual a mastro com a raia, que por sua vez é igual a cruz.
Na arca pode ser encontrado, com depois em toda a tradição, o duplo simbolismo, duplo sentido dialético da letra Tau; é ao mesmo tempo sinal de vida e sinal de morte; a vida eterna é dada aos homens pela morte de Deus do homem crucificado no madeiro. Percebemos que São Francisco jamais separou, na sua espiritualidade, Jesus condenado à morte do Cristo "glorioso e bendito pelos séculos". Ainda no início do século XIII, a tradicional interpretação da arca ocorria até na liturgia e assim se perpetuou na mentalidade popular. Sem dúvida, Francisco cantava o seguinte hino litúrgico: "Ligno crucis fabricatur (Arca Noe qua salvatur) Mundus a miseria" Da madeira da cruz foi construída a arca de Noé que as;vará o mundo da miséria (Analecta Mymnica, Leipzig 1890, VIII, 29).
Servos de Abraão
"Abraão, tendo ouvido que Lot, seu parente, ficara prisioneiro, escolheu trezentos e dezoito dos seus melhores e mais corajosos servos, nascidos em sua casa, e foi ao alcance dos reis até Dan." (Gen 14,14)
De que modo o Tau, valor numérico 300, entrou na interpretação dos trezentos e dezoito servos? Prestemos atenção às explicações do Pseudo-Barnaba (+ cerca de 130): "Saibam que a Bíblia, assim transcreve o número 318: INT, que equivale a IN 18 3 T 300. Dezoito como número equivale a IN e assim tens i início do nome de Jesus. A letra Tau, equivalente ao valor 300, anuncia o advento da graça pela cruz. Nas primeiras letras temos alusão a Jesus, na última, à sua cruz ".
Semelhante exposição encontramos entre os latinos, com p.ex. em Ambrósio (+397): os servos de Abraão constituem a figura dos futuros cristãos; seu número prefigura a cruz e o nome de Jesus; a vitória deles é a vitória da Graça, graças à qual foram escolhidos: "Escolha 318 para te ensinar que o que conta não é o número, mas a eleição. E escolhe 318 fiéis que acreditam em Jesus e em sua cruz, porque os 300 fiéis significam a letra grega Tau e 18 representa IN, que quer dizer Jesus".
Nesta ocasião é mister lembrar o culto franciscano do nome de Jesus, paralelo ao culto do Tau. São Francisco, ao culto do Tau, acrescentou o lírico e muito medieval culto do nome salvífico de Jesus: "Os frades que conviveram com ele sabem, que estava todos os dias e continuamente falando sobre Jesus, e como sua conversação era doce, suave, bondosa e cheia de amor (...). possuía a Jesus de muitos modos: levava sempre Jesus no coração, Jesus na boca, Jesus nos ouvidos, Jesus nos olhos, Jesus nas mãos, Jesus em todos os outros membros. Quantas vezes ao sentar-se para almoçar, ouvindo, falando ou pensando em Jesus, esquecia-se do alimento corporal e, como lemos a respeito de um santo: "Vendo, não via; ouvindo, não ouvia". Este amor pelo nome de Jesus e pela sua forma gráfica, encontra-lo-á dois séculos depois, o mestre, em São Bernadino de Sena. A palavra INS é a mais antiga forma abreviada de Jesus (que se encontra nos manuscritos e nas lápides sepulcrais) é IN, iota e eta, duas primeiras letras do nome de Jesus.
Vemos de modo claro que até os pormenores da história são analisados sob a ótica alegórica. O esforço constante em descobrir o mistério escondido por trás dos números. É uma tradição que Francisco enriquece ao seu modo; é o fluxo de idéias e conceitos que formam o clima do século XIII.
O Tau de Ezequiel
"Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem" (Ez 9,4).
O que foi dito a respeito deste texto, seja falando do sermão de Inocêncio III, seja da forma da letra Tau, dispensa as longas análises. Não podemos, porém, silenciar o fato de que a interpretação desta visão de Ezequiel está na base de todas as considerações sobre o Tau como sinal de cruz. A fé cristã no Messias sofredor foi predita no Antigo Testamento. Como cristãos, marcados pelo sinal da cruz no Batismo, devemos, pelo sofrimento, tornar-nos imitadores do Cristo crucificado. Assim se expressa São Gerônimo e muitos outros comentadores. O texto do Livro de Ezequiel colorirá toda a tradição, facilitando a passagem do Tau, que é igual a cruz e a cruz, que é igual a 300 o qual por sua vez, é igual a cruz, através do Tau, que é igual a 300.Os exemplos citados conscientizam-nos que a mística do Tau não é um produto espontâneo da mente de Francisco, mas uma constante herança da longa tradição, original na idade média. Esta mística, emprestada da Igreja grega e absorvida pela Igreja latina, permanecerá como um dos mais queridos temas da exegese alegórica. Daqui podemos ter a certeza de que Francisco mergulhava nela e absorvia seus conteúdos. Todo o clero diocesano e religioso da época estudava a obra de Isidoro de Sevilla, cheios de tesouros de etimologia e alegoria. Mais ou menos era sob o fascínio da "Glosa comum", que o faziam bíblico. Esta obra era a verdadeira base de cada biblioteca. Usava-se os seus textos na pregação. A arte religiosa transformava-a em pinturas e até o mais simples eram capazes de compreender os seus símbolos. Não surpreende, portanto, o fato de que para o entusiasta dotado de fantasia visual que foi Francisco, o mistério da cruz encontrou a iluminadora e dinamizadora expressão, a ajuda na contemplação e o impulso para a ação, até ele mesmo tornar-se um dia, pelos estigmas, a expressão viva do sinal do Tau que tanto amava e ao qual prestava uma verdadeiro culto.

Bíblia


Os Livros Sagrados não são, nem jamais pretenderam ser, fontes de informação científica e, portanto, não servem de argumento comprobatório para os fenômenos neles escritos, porém, vejam que "fantásticos" os trechos retirados da Bíblia Sagrada:

Ezequiel

"Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, quando eu me encontrava no Rio Chebar entre os exilados. Lá se abriu o céu...eu, porém, vi como veio do norte um vento tempestuoso e uma grande nuvem, envolta em resplendor e incessante fogo, em cujo centro refulgia algo como metal brilhante. E bem ao meio apareceram vultos como de quatro seres vivos, cujo aspecto se assemelhava a vultos humanos. E cada um tinha quatro rostos e cada um quatro asas. Suas pernas eram retas e a planta de seus pés era como a planta do pé de um bezerro e brilhavam como metal polido". Nesse momento vale a pena pensar no Deus Onipresente das religiões: tem esse Deus necessidade de vir correndo desabaladamente de uma determinada direção? Não pode Ele, sem espalhafato ou alarde, encontrar-se lá onde deseja estar? Sigamos a narração-testemunho do profeta Ezequiel:"Além disso vi, ao lado dos quatro seres vivos, rodas no chão. O aspecto das rodas era como o vislumbre de um crisólito e as quatro rodas eram todas da mesma conformação e eram trabalhadas de modo tal como se cada roda estivesse no meio da outra. Podiam andar para todas as quatro direções, sem virar-se ao andar. E eu vi, que tinham raios e seus raios estavam cheios de olhos em toda a volta das quatro rodas. Quando os seres vivos andavam a seu lado e quando os seres vivos se elevavam do chão, também as rodas se elevavam".A narração é estupendamente precisa, porém, de acordo com os atuais conhecimentos ele viu algo parecido com os veículos espaciais que os americanos usam nas areias do deserto e em regiões pantanosas...

Arca da Aliança

No Livro do Êxodo, capítulo XXV, 10, Moisés relata as instruções precisas que "Deus" transmitiu para a construção da Arca da Aliança. As diretrizes são fornecidas com a precisão de centímetros, indicam como e onde deveriam ser fixados varais e argolas e que ligas metálicas deveriam ser usadas. As instruções visavam uma execução exata, assim como "Deus" desejava tê-la. Advertiu a Moisés, repetidas vezes, que não cometesse erros. "E vê que faças tudo com exatidão completa, segundo o modelo que te foi exibido na montanha..." ( Êxodo, XXV, 40 ). "Deus" também disse a Moisés que ele mesmo lhe falaria, do interior daquela sede de misericórdia. Ninguém – assim ele instruiu Moisés com clareza – deveria chegar perto da Arca da Aliança e para seu transporte deu a ele instruções precisas sobre a vestimenta a ser usada e o calçado apropriado. A respeito de todos esses cuidados, assim mesmo houve depois um deslize ( 2º Livro de Samuel, capítulo VI ). Numa ocasião em que Davi mandou transportar a Arca da Aliança, Oza ia a seu lado. Quando os bois, que puxavam o carro, se agitaram e fizeram a Arca pender para o lado, Oza susteve-a com as mãos: como que atingido pelo raio, caiu morto no mesmo instante.Sem dúvida, a Arca da Aliança estava eletricamente carregada. Pois, se hoje a reconstruirmos de acordo com as instruções fornecidas por Moisés, produziremos uma carga elétrica de várias centenas de volts. O condensador será formado pelas placas de ouro, uma carregada positivamente e a outra, negativamente. Se, além disso, um dos querubins colocados sobre a Arca servisse como magneto, então o alto-falante, talvez até uma espécie de aparelho de comunicação recíproca entre Moisés e a "astronave", estaria perfeito.Os detalhes da construção da Arca da Aliança podem ser lidos com todas as minúcias na Bíblia.

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REFLITA

Ter uma vida positiva é ter consciência que o universo precisa de você; é lutar pelos SONHOS de maneira determinada; é crescer sem precisar diminuir ninguém; é ter a verdade como um principio vital; é usar o poder da ousadia construtiva; é saber agradecer e perdoar, fraterna e totalmente; é priorizar a família; é viver cada dia de uma vez, sendo alegre no presente e otimista no futuro; é respeitar o próprio corpo; é se preocupar com os mais carentes; é preservar a natureza; é não se abater nos momentos de dor; é jamais perder a esperança; é ter auto estima; é ser rico em humildade; é sempre fazer a sua parte...Pois quando você faz a sua parte tenha certeza de que Deus fará a parte dele.

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