ANO VIII - 2007/2014 - www.curiosidadescatolicas.blogspot.com - Um Blog Católico Apostólico Romano - Produzido em Volta Redonda - R. Janeiro - Brasil.

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31 de mai. de 2008

Igreja Católica mudou o descanso do sétimo dia

Deu na agência Zenit: “Jesus nos deu, em primeira pessoa, o exemplo da oração incessante. Dele se diz nos evangelhos que orava de dia, ao cair da tarde, pela manhã, e que passava às vezes toda a noite em oração. A oração era o tecido conectivo de toda sua vida.
“Mas o exemplo de Cristo nos diz também outra coisa importante. É ilusório pensar que se pode orar sempre, fazer da oração uma espécie de respiração constante da alma inclusive em meio às atividades cotidianas, se não reservamos também tempos fixos nos quais se espera pela oração, livres de qualquer outra preocupação. Aquele Jesus a quem vemos orar sempre é o mesmo que, como todo judeu de seu tempo, três vezes por dia – ao sair o sol, na tarde, durante os sacrifícios do templo, e no pôr-do-sol – parava, se orientava para o templo de Jerusalém e recitava as orações rituais, entre elas o Shema Israel, Escuta Israel. No Sábado Ele também participava, com os discípulos, do culto da sinagoga, e vários episódios evangélicos acontecem precisamente neste contexto.
“A Igreja igualmente fixou, pode-se dizer que desde o primeiro momento de vida, um dia especial para dedicar ao culto e à oração, o domingo [grifo acrescentado]. Todos sabemos em que se converteu, lamentavelmente, o domingo em nossa sociedade; o esporte, em particular o futebol, de ser um fator de entretenimento e lazer, se transformou em algo que com freqüência envenena o domingo… Devemos fazer o possível para que este dia volte a ser, como estava na intenção de Deus ao mandar o descanso festivo, uma jornada de serena alegria que consolida nossa comunhão com Deus e entre nós, na família e na sociedade [grifo acrescentado].
É um estímulo para nós, cristãos modernos, recordar as palavras que os mártires Saturnino e seus companheiros dirigiram, no ano 305, ao juiz romano que havia mandado prendê-los por ter participado na reunião dominical: “O cristão não pode viver sem a Eucaristia dominical. Não sabias que o cristão existe para a Eucaristia e a Eucaristia para o cristão?”
Nota do blog Minuto Profético: O comentário acima de um sacerdote católico é mais uma confirmação pública de que foi a Igreja Católica que mudou o quarto mandamento da Lei de Deus que prescreve o descanso no sétimo dia para o descanso dominical. Essa mudança foi profetizada em Daniel 7:25: “Cuidará em mudar os tempos e a Lei.” Além disso, a fala do sacerdote deixa clara a intenção do Vaticano de promover o descanso dominical para toda a sociedade (porque é o sinal de sua autoridade, e quando todo o mundo cristão estiver praticando essa doutrina o Vaticano terá alcançado seu grande objetivo que é recuperar a supremacia política mundial). De acordo com o Dicionário Patrístico e de Antigüidades Cristãs (obra católica), p. 711, o bispo Inácio de Antioquia, no começo do segundo século (por volta de 130 d.C.), escreveu uma carta aos fiéis de Filadélfia com um propósito específico: “Alguns membros da comunidade se haviam separado do bispo porque consideravam necessário que se observasse o sábado.” Então, de modo direto, a mesma obra revela: “De fato, para provar que o sábado devia ser abolido em favor do domingo, Inácio de Antioquia não podia valer-se de nenhum testemunho escriturístico. O único argumento era que o domingo era o dia da ressurreição de Jesus.” Falou e disse! Realmente não há nenhuma comprovação bíblica de que o descanso do sábado deveria ser mudado para o domingo. Portanto, essa doutrina é invenção humana e não tem o apoio de Deus. O cristão que quer ser fiel à Palavra de Deus deve guardar o sétimo dia (Êx 31:13; Ez 20:20).

23 de mai. de 2008

Solenidade dos 03 Reis Magos

A Epifania do Senhor (do grego: Ἐπιφάνεια, : “a aparição; um fenômeno miraculoso”) é uma festa religiosa cristã que celebrava-se no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal. Porém, a partir da reforma do calendário litúrgico em 1969, após o Concílio Vaticano II) passou a ser comemorada dois domingos após o Natal. (origem: pt.wikipedia.org/wiki/Epifania - com pequena modificação).
Foi quando Jesus se revelou aos outros povos (os gentios), representados nos três Reis Magos, vindos do Oriente. Naquela época só se conhecia a existência de três Continentes: África, Europa e Àsia. Os três Reis representam estes continentes (repare que um dos Reis é negro, representando a África etc), o que significa que Jesus não veio somente para a salvação do povo judeu, mas para a salvação de todos nós.
Você sabia que na Catedral de Colônia (Alemanha) existe uma arca de ouro onde estão supostamente os restos mortais dos três Reis Magos?
A Solenidade da Epifania é popularmente conhecida como Festa dos Reis Magos ou, simplesmente, Festas dos Reis…, Folia de Reis…Abaixo oferecemos a homilia do nosso Papa Bento VI:
“Queridos irmãos e irmãs,Hoje celebramos a Epifania do Senhor, ou seja, a sua manifestação aos povos, representados pelos Magos, misteriosas personagens vindas do Oriente, de quem fala o Evangelho de São Mateus (cf. Mt 2, 1-12). A adoração de Jesus por parte dos Magos foi imediatamente reconhecida como cumprimento das Escrituras proféticas. “À tua luz caminharão os povos lê-se no livro de Isaías e os reis andarão ao brilho do teu esplendor… trazendo ouro e incenso, e anunciando os louvores de Javé” (Is 60, 3.6). A luz de Cristo, como que encerrada na gruta de Belém, hoje difunde-se em todo o seu alcance universal. Dirijo o meu pensamento de modo particular aos amados irmãos e irmãs das Igrejas Orientais que, seguindo o Calendário Juliano, amanhã celebrarão o santo Natal: formulo-lhes os mais cordiais bons votos de paz e de bem no Senhor.
No dia de hoje voltamos a pensar espontaneamente na Jornada Mundial da Juventude. No passado mês de Agosto de 2005 muitos de vós estavam ali presentes ela reuniu em Colónia mais de um milhão de jovens, que tinham como lema as palavras dos Magos, referidas a Jesus: “Viemos adorá-lo” (Mt 2, 2). Quantas vezes pudemos ouvi-las e repeti-las! Agora não podemos escutá-las, sem voltar espiritualmente àquele memorável acontecimento, que representou uma autêntica “epifania”.
Com efeito, a peregrinação dos jovens, na sua dimensão mais profunda, pode ser vista como um itinerário orientado pela luz de uma “estrela”, a estrela da fé. E hoje apraz-me tornar extensiva a toda a Igreja a mensagem que então propus aos jovens reunidos nas margens do Reno: “Abri de par em par o vosso coração a Deus disse-lhes e hoje repito a todos deixai-vos surpreender por Cristo! Abri as portas da vossa liberdade ao seu amor misericordioso! Exponde as vossas alegrias e as vossas tristezas a Cristo, deixando que Ele ilumine com a sua luz a vossa mente e alcance com a sua graça o vosso coração” (Discurso de 18 de Agosto de 2005).
Gostaria que em toda a Igreja se respirasse, como em Colónia, a atmosfera da “epifania” e do autêntico compromisso missionário, suscitado pela manifestação de Cristo, luz do mundo, enviado por Deus Pai para reconciliar e unificar a humanidade com a força do amor. Neste espírito, rezemos com fervor pela plena unidade de todos os cristãos, a fim de que o seu testemunho se torne fermento de comunhão para o mundo inteiro. Invoquemos para isto a intercessão de Maria Santíssima, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja.
Você sabe de onde vêm as cinzas que recebemos na Quarta-Feira de Cinzas? Você acha que é papel queimado? graveto queimado? carvão triturado? Se você não sabe, as cinza vêm dos ramos bentos do Domingo de Ramos do ano anterior.

Quando recebemos os ramos no Domingo de Ramos, os levamos para as nossas casas e as colocamos junto aos nossos crucifixos de parede e ou junto aos nossos oratórios, mas com o tempo eles secam. Quando secam, não devemos jogá-los fora, pois foram bentos pelo sacerdote. Por isso, devemos entregá-los na igreja para que sejam queimados e transformados em cinzas, a fim de serem usadas no dia de Quarta-Feira de Cinzas.
No dia de Quarta-Feira de Cinzas, os fiéis são marcados na testa com as cinzas em forma de cruz ou a recebem um pouco sobre as suas cabeças, quando o secerdote pronuncia a seguinte frase, à sua escolha:

- “Lembra-te que és pó e que ao pó voltarás!” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho!”

Bem, agora ofereceremos um belo artigo de um frade franciscano para que todos possam compreender melhor o significado deste dia:
“Um pouco mais de um mês, e vai chegar a festa mais importante do ano, a celebração do acontecimento central e máximo de toda a história da humanidade. Está se aproximando a Páscoa. E porque ela é tão grande, merece uma preparação à altura. Começa nesta quarta-feira a nossa preparação para a Páscoa.
E como inauguramos esta preparação? Colocando cinza sobre a nossa cabeça, como sinal de penitência, isto é, como sinal de que estamos dispostos a nos alinharmos no caminho de Deus com seu projeto de justiça e paz para todos. Além disso, passamos esse dia fazendo jejum, também como sinal de penitência. Serão então quarenta dias de preparação: Quaresma…
Quarta-feira de cinzas! Celebramos neste dia o mistério do Deus misericordioso que acolhe nossa penitência, nossa conversão, isto é, o reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais, pecadoras. Conversão que consiste em crer no Evangelho, isto é, aderir a ele, viver segundo o ensinamento do Senhor Jesus. Numa palavra, trata-se de entrar no caminho pascal de Jesus. “Convertei-vos, e crede no Evangelho”: é o convite que Jesus faz (cf. Mc 14,15).
Esta palavra, a gente ouve, recebendo cinzas sobre a nossa cabeça. Por que cinzas? É para lembrar que, de fato somos pó! Mas não reduzidos a pó!… A fé em Jesus ressuscitado faz com que a vida renasça das cinzas. Quando o ser humano reconhece sua condição de criatura realmente necessitada da ação de Deus, em Cristo e no Espírito, então Jesus Cristo faz brotar vida de nossa condição mortal. Reconhecer-se assim, é entrar numa atitude pascal, isto é, de passagem com Cristo da morte para a vida. Esta páscoa, a gente vive na conversão, através dos exercícios da oração, do jejum e da esmola ou partilha de bens e gestos solidários, no espírito do Sermão da Montanha.Páscoa que celebramos na Eucaristia, pela qual aclamamos Deus como aquele que, acolhendo nossa penitência, corrige nossos vícios, eleva nossos sentimentos, fortifica nosso espírito fraterno e, assim, nos dá a graça de nos aproximarmos do seu jeito misericordioso de ser, e nos garante uma eterna recompensa.
Por isso que o sacerdote, em nome de toda a assembléia, canta na Oração Eucarística: “Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso…, vós acolheis nossa penitência como oferenda à vossa glória. O jejum e abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, nos convidam a imitar vossa misericórdia, repartindo o pão com os necessitados […] Pela penitência da Quaresma, vós corrigis nossos vícios, elevais nossos sentimentos, fortificais nosso espírito fraterno e nos garantis uma eterna recompensa” (Prefácio da Quaresma III e IV).
Junto com a oferta total de Cristo ao Pai, pelo Espírito Santo, na Liturgia eucarística, une-se também a oferta de nossa penitência quaresmal. E Deus, por sua vez, nos recompensa com o corpo entregue e o sangue derramado de seuFilho Jesus, na santa comunhão.
Que o Cristo pascal nos ajude, para que o nosso jejum seja realmente agradável a Deus e nos sirva de remédio para a cura dos nossos vícios. E assim possamos celebrar dignamente a santa Páscoa de Cristo e nossa Páscoa.

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:
1. Qual o sentido da Quarta-feira de cinzas na vida do cristão?2. Por que a Igreja usa cinzas no início da preparação para a Páscoa?3. Que é importante cultivar na comunidade e nas celebrações, no tempo da Quaresma?”
(www.cnbb.org.br - autor: Frei José Ariovaldo da Silva, OFM - texto com uma pequena modificação)

COMO SE CALCULA A PÁSCOA? QUANDO VAI CAIR?
A Páscoa sempre acontece na primeira lua cheia após a primavera na Europa (outono aqui no Brasil). A primavera na Europa tem um enorme significado de vida, pois durante o inverno toda a natureza fica morta, ressurgindo com o início de uma nova estação. Podemos fazer uma analogia da primavera com a Ressurreição de Jesus, que vence a morte.
Bem, como estávamos falando, quando descobre-se qual o dia da primeira lua cheia da primavera, então passam-se a contar 40 dias (quaresma) para trás, sem incluir os domingos. Então chega-se à data que será a Quarta-Feira de Cinzas e o início da quaresma. Por isso, a Páscoa é uma data móvel, assim como a Sexta-Feira Santa, a Quinta-Feira Santa, o Carvanal etc.

15 de mai. de 2008

Astrônomo do Vaticano garante: crer em extra-terrestres não ofende a fé

Acreditar que existem alienígenas e que o universo pode ter vida inteligente fora da Terra não contradiz a fé em Deus. É o que garante o pe. José Gabriel Funes, principal astrônomo do Vaticano.
A vastidão do universo - com suas bilhões de galáxias e trilhões de estrelas - significa que podem existir outras formas de vida fora da Terra, mesmo inteligentes, afirma o jesuíta que dirige o Observatório do Vaticano.
"Como podemos descartar a hipótese de que a vida tenha florescido em outro lugar?" questiona pe. Funes, em uma entrevista concedida ao jornal L'Osservatore Romano, cujo título ontem era: "O extraterrestre é meu irmão."
"Assim como existe uma multidão de criaturas na Terra, deve haver outros seres, até mesmo inteligentes, criados por Deus. Isso não contradiz a nossa fé, porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus.
O jesuíta argentino de 45 anos cita São Francisco ao dizer que possíveis habitantes de outros planetas devem ser considerados como nossos irmãos. “Para citar São Francisco, se consideramos as criaturas terrestres como 'irmão' e 'irmã', por que não poderemos falar também de um 'irmão extraterrestre'?”, pergunta o padre. "Ele também faria parte da criação." Tocando um tema freqüentemente abordado pelo papa Bento XVI, que tem explorado a relação entre a razão e a fé, o jesuíta explica que a ciência, especialmente a astronomia, não contradiz a religião, e como um aspecto chave do seu pontificado.
“A Bíblia não é um livro de ciência; e procurar fatos científicos no universo e a sua origem não colocam em dúvida o papel de Deus na criação, disse. Como exemplo, o padre disse acreditar que a teoria do 'big bang' é a explicação mais razoável para a criação do universo. A teoria afirma que o universo começou há bilhões de anos, a partir de apenas uma explosão que continha toda a matéria. “Eu continuo a acreditar que Deus é o criador do universo e que não somos produto do acaso”, declarou.
O Observatório Vaticano está presente em dois continentes. A sede se situa em Castel Gandolfo, a poucos quilômetros de Roma, cidade da residência de verão do pontífice. O centro de pesquisas propriamente dito está localizado no interior do Estado do Arizona, nos Estados Unidos.
Em sua página na internet, numa seção voltada aos visitantes leigos, a instituição esclarece que os telescópios não são utilizados com o objetivo de procurar 'algo divino lá em cima'. O observatório é católico, mas não tem fins religiosos. “Nem com um telescópio potentíssimo poderíamos ver Deus. Ele está além do universo, por trás de tudo que existe”, acrescenta pe. Funes.
Nos trabalhos científicos do observatório, respeitado internacionalmente, o Vaticano não faz algum tipo de interferência. A escolha dos diretores, na prática, não precisa do aval do papa. O observatório, fundado pelo papa Leão XIII em 1891, tem acordos de cooperação com a Nasa, a agência espacial dos EUA. Seus padres astrônomos publicam estudos em prestigiosas publicações científicas

12 de mai. de 2008

Algumas curiosidades...

Dá para coroar o tempo?
Dá. E os católicos gostam de coroar o tempo. A Coroa do Advento, um outro símbolo natalino, é feita de ramos verdes entrelaçados. Eles formam um círculo, no qual são colocadas quatro grandes velas, de preferência de cor roxa. Elas representam as quatro semanas do Advento, o Tempo do Natal. Nas igrejas, essa coroa deve ser colocada em um lugar evidente no presbitério, bem perto do altar ou do púlpito, sobre uma mesinha, um tronco de árvore ou em qualquer outro lugar bem visível. Essa colocação é recomendada até pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo de Roma.Nas casas, a Coroa do Advento costuma ser colocada numa mesa da sala ou num lugar bem central.

A Igreja garante alguma relíquia?
Sim, umas poucas e recentes, cheias de laudos e atestados. O resto a Igreja só garante que são coisas muito velhas, viajadas e antigas.A Igreja Católica sempre recomendou o respeito pelas relíquias e a confiança em suas virtudes, mas nunca interveio para confirmar ou negar a autenticidade de nenhuma. Os papas, salvos raríssimas exceções, assim como os concílios, sempre limitaram-se a recomendações gerais, freqüentemente negativas sobre as relíquias, visando coibir os abusos. O cânon 62 do Concílio de Latrão, de 1215, determinou: "Os bispos não permitirão mais que se empreguem vãs ficções ou peças falsas para enganar aqueles que vêm às suas igrejas honrar as relíquias, como acontece em muitos lugares visando o lucro". O mesmo cânon proibiu que as relíquias fossem retiradas de seus relicários e expostas. Uma sábia decisão.

Seria o prepúcio sagrado o de Jesus?
No princípio do século XII, esta versão do prepúcio sagrado foi levada para Roma e apresentada ao Papa Inocêncio III, a quem foi pedido um veredicto sobre a sua autenticidade. Com prudência, Inocêncio recusou pronunciar-se. Já no século XVI, o Papa Clemente VII, mecenas de artistas como Rafael e Miguel Ângelo, grande perturbador do panorama político e religioso do seu tempo, declarou que o prepúcio sagrado era uma relíquia verdadeira e fruto do corpo de Jesus. A impressão é que esse papa tinha um plano, um business plan, e aproveitou para conceder indulgências aos peregrinos que viessem prestar homenagem e fomentar outros negócios. Em sonhos ou visões, Santa Catarina de Sena fez um anel ou uma aliança do Santo Prepúcio. O tema é vasto e rico, tanto para historiadores como para curiosos e psicanalistas. Sem falar da pesquisa genômica.

Como foi o batismo do Senhor?
Não teve padrinhos, nem salgadinhos, nem igreja.Mas aconteceu em família, entre primos. E foi muito movimentado, num cenário grandioso. Naquele tempo, o Rio Jordão ainda não havia sido desfigurado com todos os atuais plantios de eucaliptos australianos feitos nas suas margens. No calendário religioso, a festa do batismo de Jesus leva os católicos, como peregrinos em espírito, às bordas do Rio Jordão, para participar desse acontecimento misterioso: o batismo de Jesus pelo seu primo João, o Batizador ou o Batista. Segundo a narração evangélica: “enquanto Jesus, também batizado, orava, abriu-se o céu, baixou o Espírito Santo sobre Ele em forma de pomba, e se escutou uma voz do céu: ‘Você é meu Filho predileto, em ti me agrado’” (Lc 3,21-22). Um espetáculo de som e imagem. Um dia para ninguém mais esquecer.

A procissão católica inspirou o desfile de Carnaval?
Sim, e muito.As procissões são marchas solenes de caráter religioso, organizadas pela Igreja Católica, geralmente pelas ruas de uma cidade. Os padres e outros clérigos saem paramentados, carregando imagens, crucifixos, à frente de andores, estandartes, pálios ricamente decorados, velas, lanternas, archotes, estandartes, cruzes alçadas, lampadários, bastões etc. Eles são levados por fiéis, também paramentados, das diversas irmandades e confrarias, religiosos e religiosas, e pelos leigos, em geral, formados em duas ou mais alas. As procissões rezam e entoam cantos, hinos e motetos, acompanhadas por fanfarras, bandas, música de instrumentistas, corais e cantores. Além do som de sinos ou matracas, e até de rojões, dependendo do caráter da procissão.Nas procissões há cumprimento de promessas e alguns andam de pé descalço, carregam pedras, andam um trecho de joelhos etc. As passeatas e manifestações de rua, de operários, estudantes, grevistas etc. adotaram a liturgia católica das procissões e também saem com seus símbolos, estandartes, cantos e palavras de ordem. Ou desordem. Os blocos, maracatus, cordões e vários grupos carnavalescos construíram suas coreografias, apresentações e forma de desfiles sobre o modelo das procissões. Há até estudos antropológicos sobre essa contribuição da sagrada procissão ao profano desfile do Carnaval. Do católico ao caótico.

É tempo de jejum ou de banquete de bacalhau?
No início do século VII o jejum quaresmal consistia em comer apenas uma refeição por dia e abster-se de toda alimentação na Sexta e Sábado Santos. O costume de abster-se de carne tinha grande significado no passado, pois era um alimento caro e desejado. O comportamento vegetariano evocava uma humanidade de antes do dilúvio, quando os humanos comiam somente frutas e grãos.No Brasil, ficar um dia sem comer carne é pouco significativo. Muita gente come carne regularmente, várias vezes por semana. Dá para parar um dia. Até a Sexta-feira Santa, antes um momento de despojamento e de abstinência de carne, tornou-se um dia de opulência gastronômica, de muita comilança de peixes, principalmente de bacalhau, uma proteína bastante cara e objeto de pratos suculentos e sofisticados. Tudo muito distante do espírito inicial da Quaresma.

Qual a razão das cinzas na cabeça?
Nas missas realizadas na Quarta-feira de Cinzas, os participantes são abençoados com cinzas. O padre sinaliza a testa de cada participante com cinzas ou as coloca sobre suas cabeças. Os cristãos normalmente deixam as cinzas em sua testa e nos cabelos até o pôr-do-sol, antes de lavá-los. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Oriente Médio de jogar cinzas sobre a cabeça, como sinal de arrependimento perante Deus.De onde vêm essas cinzas? Elas costumam ser obtidas pela queima dos ramos secos entregues nas paróquias e comunidades, que haviam sido abençoados e distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos.

Qual é a estrada sagrada dos católicos?
É a via-sacra, uma estrada colorida e movimentada. A expressão latina via-sacra significa caminho sagrado. Os cristãos quiseram, desde o início, seguir de perto os passos de Jesus em sua paixão, o seu caminho rumo ao Calvário, revivendo os acontecimentos desde o Horto das Oliveiras até o seu enterro. Síntese de várias devoções, a prática da via-sacra desenvolveuse após as Cruzadas, e foi promovida pelos franciscanos, particularmente por São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751). O santo frade Leonardo deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Ele instalou sozinho 576 vias-sacras! É estrada que não acaba mais. Uma verdadeira infra-estrutura viária religiosa.Com tantas vias-sacras não havia como se perder nos caminhos da piedade e da conversão, na rota para os céus.Ao longo da via-sacra o católico acompanha espiritualmente e através de imagens o trajeto de Jesus, desde a agonia no Getsêmani até à morte e sepultura no Calvário, com momentos de meditação e oração em várias estações.

Quando a coroa de Jesus perdeu seus espinhos ?
A pontiaguda coroa de espinhos, colocada ou enterrada com violência na cabeça de Jesus, é a relíquia mais artesanal da caixa romana dos sofrimentos. Segundo a tradição, ao descerem Jesus da cruz, sua coroa de espinhos foi cuidadosamente retirada, preservada e conservada. Não deve ter sido pelo José de Arimatéia. Ele já andava com as mãos ocupadas cuidando do corpo de Jesus e do Graal.Com o tempo, essa coroa, antes maldita, ficou sagrada,marcada que estava pelo sangue do Redentor. Com o tempo também, ela tornou-se cada vez menos assustadora e mais fácil de portar. A razão é simples: ao longo dos séculos, os imperadores de Bizâncio e depois os reis da França distribuíram generosamente os seus espinhos. Na última contabilidadeexistiam 70 espinhos, ditos da coroa de Jesus, distribuídos planeta afora. E, assim, a coroa de espinhos ficou cada vez mais lisinha, menos ameaçadora, menos comovente e mais fácil de portar.

A celebração pascal tem hora certa?
Tem e deve ser respeitada. Após o pôr-do-sol do Sábado de Aleluia ocorre a celebração pascal, uma das mais longas e ricas de símbolos e sinais de toda a liturgia católica. Não pode ser antes do pôr-do-sol. Originalmente, a celebração maior da Páscoa se fazia na noite do sábado para o domingo, mas a partir do século VII essa celebração começou ocorrer na tarde do sábado.Muitos não agüentavam esperar tanto pela ressurreição. A partir de 1566, começaram a ocorrer celebrações pascais na manhã do sábado! Não dava nem tempo do corpo deJesus esfriar no sepulcro.Mal morria, já tinha que ressuscitar. A Igreja combateu esses angustiados desvios temporais e litúrgicos. O Papa Pio XII, em 1951 e 1955, autorizou e impôs o retorno à celebração noturna no Sábado Santo.

Pentecostes é uma festa judaica?
Certeza absoluta. A Festa de Pentecostes é de origem judaica. Ela corresponde à festa das Semanas, Shavuot, celebrada sete semanas depois da Páscoa (7 x 7 = 49). Pentecostes, em grego, significa qüinquagésimo, o 50º dia. Os hebreus eram pastores nômades. Depois da sua sedentarização em Canaã, essa Festa das Semanas ou das Colheitas, própria de agricultores, tornou-se complementar à Festa da Páscoa, mais vinculada à antiga fase pastoril desses criadores de cabras e ovelhas. Após o exílio na Babilônia, com a reforma litúrgica e a concentração do culto judaico no Templo de Jerusalém, a Festa de Pentecostes passou a celebrar a Aliança do Sinai e a entrega ou revelação da Lei, da Torá, complementando a Páscoa, comemorativa da libertação do Egito. Celebrada em Jerusalém, Pentecostes era uma das festas de Peregrinação, junto com Páscoa e Tabernáculos (Sucot). O cristianismo não ia deixar passar a oportunidade de também recuperar essa bela festa agrícola judaica e que, até hoje, faz grande sucesso nas áreas rurais brasileiras. E a pomba do Espírito Santo colaborou.

Sábado é dia de Maria visitar o purgatório?
Parece que sim. Certa vez, uma freirinha convencia-me sobre as vantagens de adotar o uso do escapulário de Nossa Senhora doCarmo. Segundo ela,Nossa Senhora, compadecida, viria me buscar no purgatório logo no primeiro sábado, após a minha morte, reduzindo meu tempo de permanência naquela situação. Disse a ela que, nesse caso, iria rezar e torcer para morrer numa sexta-feira. Imaginei, como nas poesias de Fernando Pessoa, a singeleza de Nossa Senhora consultando uma folhinha nas paredes dos céus e lembrando-se que amanhã é sábado, dia de ir buscar almas no purgatório.Na piedade popular, o sábado é dia consagrado a Maria, a Mãe de Jesus, porque “ela o antecedeu como a aurora ao dia”. A disciplina litúrgica permite a celebração da memória de Nossa Senhora no sábado (ofício e missa), sempre que no tempo comum do Ano Litúrgico, e que não haja celebração superior. Uma coisa é certa para os católicos: Nossa Senhora, a Compadecida, roga pelos pecadores, agora e na hora da morte. Seja qual for o dia da semana. Amém.

Para que serve um padrinho ou uma madrinha?
Para garantir o apadrinhamento. E a experiência mostra: não é fácil apadrinhar. Quem apadrinha, ajuda, põe-se a favor, patrocina, orienta, persevera e não atrapalha. Se você não tem padrinho, nem madrinha, não sabe o que está perdendo. E está até arriscado a morrer pagão. Os padrinhos, no batismo ou na confirmação, apresentam o afilhado ou afilhada ao sacramento, comprometendo-se com a sua preparação e depois com a sua perseverança na fé. Só isso já seria um vasto programa, mas os padrinhos e madrinhas vão bem mais além. No Brasil, o apadrinhamento era um verdadeiro cimento social, garantiu a mobilidade pública de indivíduos e formas solidárias de assistência mútua. Até mesmo os escravos, no passado, foram apadrinhados por seus senhores, ganharam liberdade e, em alguns casos, até obtiveram parte das fazendas em herança.No compadrio, as leis religiosas da fraternidade e do sagrado desafiam e aperfeiçoam as estruturas sociais profanas.

Um católico pode adorar santos?
Não e nem deve. Vai contra os mandamentos da Lei de Deus. Aquela dada a Moisés no Sinai. Muitos não entendem. Em suas igrejas não há santos ou imagens, nem andores ou altares. Preste atenção: católicos não adoram Maria, nem os santos. Só adoram Deus que está nos céus. Os santos são venerados, imitados e cultivados por seus exemplos. Cultivar ou prestar culto significa o empenho em levar-se adiante, por um tempo prolongado, coisas de valor.As pessoas cultivam certos hábitos de juventude, cultuam a memória, as idéias ou o exemplo de uma pessoa. Esse é o sentido da palavra culto ou veneração prestada a um santo. Eles são venerados, como deve ser venerado um bom pai, uma boa mãe e toda e qualquer pessoa que se torna uma imagem de Cristo aqui na terra. O Papa João Paulo II foi um grande impulsionador da vocação universal à santidade, tema renovado com grande ênfase no II Concílio do Vaticano. Para a Igreja Católica não basta ser bonzinho.Todo mundo deve e pode ser santo.

Por que a peregrinação aos santuários?
O rabi Nachmanides dizia: se você está com dor de cabeça, cuide de seus pés. Em outras palavras: mexa-se. Saia do imobilismo. Em todas as religiões há santuários aos quais se dirigem os devotos, devidamente mobilizados. O ato de peregrinar às igrejas indicadas, próprio do Ano Santo, indica: não temos aqui na terra uma morada definitiva. O destino de todos é passar. Somos passantes, em movimento, a caminho, no reto caminho. A vida é uma passagem para quem busca a vida eterna. Perder as ilusões,desapegar-se das situações aparentemente estáveis, deixar o comodismo e a rotina, peregrinar, na procura de uma vida mais justa e frutuosa. Engajar-se pelos caminhos santos e vias-sacras. E, no Brasil, muita gente adora peregrinar, seja a pé ou a cavalo.

4 de mai. de 2008

ICONOGRAFIA CRISTÃ

O QUE É UM ÍCONE?


A iconografia, arte verdadeira e própria dos primeiros cristãos, se desenvolve através dos séculos a partir das catacumbas, atravessa os concílios, a iconoclastia, perfazendo um longo caminho. A iconografia é arte teológica, tornando possível a união da arte e da teologia na criação de um ícone. Mais que uma obra de arte, o ícone faz um apelo àquela arte que permite a passagem do visível ao invisível. A beleza de um ícone não é exclusivamente estética, nem exclusivamente espiritual, mas interior. Quem o contempla deve acolher a luz que é Deus para poder perceber no olhar purificado, a clareza do Tabor, que transfigura a matéria. O ícone, representação de uma realidade transcendente, preenche a nossa visão de um universo de beleza. A meditação diante do ícone se torna um suporte de ordem porque fixa no espírito através da imagem, que o envia e o concentra através da realidade simbólica. No ícone a matéria não é violentada, mas é como Deus a criou.
Porque todos os materiais e os ingredientes utilizados provêm do mundo mineral, vegetal e orgânico e são chamados a participar da transfiguração do cosmo, pois o iconógrafo deve espiritualizar a realidade sensível. O ícone é teofânico, signo visível da presença invisível, e ultrapassa o pintor e o espectador, a causa do elemento transcendente que nela habita. O ícone, portanto é a Palavra em cor e forma. O ícone possui um valor sacramental. Não só reflete a Glória do Reino, mas contém a energia vivificante, possui uma função mediadora na oração mais pessoal.
A palavra ícone vem da palavra grega Eikón que significa imagem no sentido amplo da palavra. O ícone é uma imagem sacra. É essencialmente uma arte do ciclo litúrgico e quando alguns ícones são levados para o pequeno altar doméstico dos fiéis é para ser um pouco da liturgia do Mistério, contemplado em suas casas. Principalmente, não é arte de santos devocionais. Nas paredes da Igreja é o sinal da presença viva de toda a Igreja, visível e invisível, naquele espaço e liturgia.
O ícone é a imagem da Igreja Universal que, após o ano 1000, ficou restrita ao Oriente sob a forma de pintura. Jamais será escultura. A sua origem e proliferação remonta ao século V no Mosteiro de Santa Catarina do Sinai, no Egito. Porém, originários do Oriente Médio, remontam às pinturas em madeira revestidas de cera, técnica chamada eucástica. Egon Sendler (1) afirma: o ícone perfeito é Jesus Cristo, imagem do Pai. Porém, todo ícone tem como finalidade fazer reviver o Mistério da Salvação, através da purificação dos sentimentos, e o aproximar-se da divindade. O ícone é toda uma liturgia sintetizada em uma pintura. O estilo nos lembra os retratos funerários que o mundo helênico, e em particular os egípcios do primeiro século, colocavam nos sarcófagos dos seus mortos. Foram encontradas várias pinturas a encáustica em afrescos de primitivas igrejas cristãs nas regiões do Fayum, perto do lago de Moeris, no sul do Egito com o Sudão.
Na história da arte e no uso comum, a palavra ícone está reservada à pintura sacra realizada sobre uma tábua de madeira, com técnica particular e segundo uma tradição de séculos.
Pintar o ícone se diz escrever o ícone e daí o nome de iconógrafo a quem o realiza. As cores, os nomes dos ícones, o procedimento geométrico das diversas composições tem significado simbólico.
O iconógrafo faz parte dos sagrados ministérios e realizará tão somente imagens ligadas ao culto, à sagrada liturgia e, eventualmente, também, ícones para as casas dos fiéis.
Transcrições antigas, do século VIII, mostram o valor e a força dos ícones. No Concílio Ecumênico de Nicéia II, em 787, lê-se:
A arte iconográfica não foi inventada pelos artistas, mas é instituição e tradição da Igreja Universal. Somente o lado artístico da obra pertence ao artista, mas a sua instituição pertence e depende dos Santos Padres. É uma das manifestações da Tradição Sagrada da Igreja, no mesmo nível da tradição escrita e tradição oral (2).
O oriente é a pátria do ícone. A Grécia, as ilhas de Creta e outras; o norte da África com a arte copta, até hoje, continuam nessa linha de Tradição.
A composição do ícone está em íntima relação com a teologia e a espiritualidade da Igreja. Não se trata de um quadro na concepção ocidental, mas de um momento e lugar epifânicos. O fundo é despojado, limpo, ausente de paisagens de onde emana a luz e a transparência das cores testemunham o diáfano o mundo espiritual no carnal. As figuras são estáticas, como receptáculos de graça. A perspectiva é inversa à ótica lógica pois, como arte sacra, o Mistério vem até o espectador.
Não se trata de uma pintura passiva, realista, fotográfica. A luz dessa obra, como luz tabórica emana da presença na figura retratada e a luz não é tratada como numa obra acadêmica, vindo de fora da obra, de um ponto externo, uma janela ou vela, mas do próprio ser, da pureza da cor chapada e não de tons e subtons ilusórios que provocam realismo.
Conforme Leonid Uspenskij, (3) o ícone é um testemunho visível tanto do abaixamento e Deus até o homem como do lançamento do homem para Deus. Se a palavra e o canto da Igreja santificam a nossa alma mediante o ouvido, a imagem a santifica mediante a vista, o primeiro dos sentidos... a nossa vocação é de adquirir a semelhança do nosso Protótipo Divino, completar na nossa vida, o que nos foi revelado e transmitido pelo Deus- Homem.
O Movimento Iconoclasta proveniente de heresias influenciadas pelo puritanismo judaico-islãmico muito destruiu dessa arte nascida no seio da própria Igreja, na origem da fé cristã. Essa foi a luta do século VII quando ainda afirmava-se o dogma da Encarnação. A partir dos concílios de Nicéia (325), Constantinopla (381), Éfeso (430) e Caledônia (440), a Igreja elabora uma verdadeira Teologia da Encarnação. Essa Teologia vai ser a base de toda a iconografia cristã oriental até hoje (no Ocidente só perdurou no primeiro milênio).
Cláudio Pastro afirma que, na Iconografia Cristã, o ponto básico referencial é, sempre a Face Aqueropita, a sagrada face não pintada por mão humana. Como se sabe, essa face, é semita, pele morena, olhos escuros, cabelos longos, lisos e negros. Desta face vai decorrer toda a iconografia cristã, não sendo permitido realizar corpos e faces, cópias de modelos humanos, como fizeram Rafael e todos os artistas do Renascimento e, como escreve Pastro (1993; 219) menos ainda, as bonequinhas e bonequinhos, como fizeram as extremas imagens de gesso ou não do século XIX e XX, muito distantes do Mistério da Encarnação e que em nada colaboraram para a Transfiguração do mundo. O ícone, hoje, é a fonte da imagem sacra para a nova evangelização do Ocidente.

Akeropita. Escola de Novgorod. Séc. XIII
O ícone é teofânico, signo visível da presença invisível, e ultrapassa o pintor e o espectador, a causa do elemento transcendente que nela habita. Possui um valor sacramental. Não só reflete a glória do reino, mas também a energia vivificante e possui uma função mediadora na oração pessoal. A meditação diante de um ícone se torna um suporte de ordem, porque fixa, no espírito através da imagem, que o envia e o concentra através da realidade simbólica.

Sagrada Face de Edessa - Pintura do ano 28 d.C.
A sagada Face Aqueropita, que significa "não pintada por mãos humanas", é assim chamada pela sua beleza e por causa do milagre da impressão da face na toalha, na cidade de Edessa, atual Urfa, na Turquia. O rosto tem a tez morena, olhos e cabelos escuros, determinando toda a iconografia cristã. Todas as faces do Cristo, pelo menos do primeiro milênio de nossa era, teriam sido baseadas na face de Edessa.


O Bom PastorCatacumbas de são Calixto, Roma, séc. III d.C, a figura do bom pastor e a do peixe são os mais antigos símbolos eucarísticos cristãos. O Cristo imberbe é o jovem romano, novo cristão que mexe com a estrutura arcaica pagã.

Cristo PantocratorMosteiro de santa Catarina no Monte Sinai, séc. V, d.C. O Senhor do universo é o homem Jesus e a sua palavra o Evangelho.
Rosalva Trevisa Rigo
oblata do Mosteiro da Transfiguração e iconógrafa
A importânica da iconografia cristã na obra de Cláudio Pastro

(1) Egon Sendler – iconógrafo russo, padre jesuíta e professor em Paris. In Pastro, 1993, p.217.
(2) Pastro, Cláudio. Arte Sacra: o espaço sagrado hoje. 2001, p. 214 (3) Leonid Uspenskij – iconógrafo e teólogo russo exilado na França. In Pastro – Arte Sacra, o espaço sagrado hoje, 1993, p 218

Veja também

REFLITA

Ter uma vida positiva é ter consciência que o universo precisa de você; é lutar pelos SONHOS de maneira determinada; é crescer sem precisar diminuir ninguém; é ter a verdade como um principio vital; é usar o poder da ousadia construtiva; é saber agradecer e perdoar, fraterna e totalmente; é priorizar a família; é viver cada dia de uma vez, sendo alegre no presente e otimista no futuro; é respeitar o próprio corpo; é se preocupar com os mais carentes; é preservar a natureza; é não se abater nos momentos de dor; é jamais perder a esperança; é ter auto estima; é ser rico em humildade; é sempre fazer a sua parte...Pois quando você faz a sua parte tenha certeza de que Deus fará a parte dele.

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