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23 de jan. de 2011

Nossa Senhora de Toda Ajuda

Bela história da aparição da Santíssima Virgem a uma pastorinha francesa no século XVII, que transformou um pequeno vilarejo num centro de peregrinações

Gabriel J. Wilson

Para localizar a Bretanha no mapa da França, basta distinguir a imensa península que mais avança para dentro do Oceano Atlântico. Essa península situa-se abaixo da Inglaterra, numa vizinhança geográfica que explica a relação da Bretanha com as ilhas britânicas, incluída a Irlanda, todas habitadas outrora por uma população celta. Isso explica igualmente os fiapos de uma linda história que chega até nossos dias com a invocação de Notre-Dame de Toute Aide (Nossa Senhora de Toda Ajuda) em Querrien, pequena aldeia da Bretanha.

Grande milagre: a fonte de São Galo

Em 574, o monge irlandês São Columbano desembarcou na Bretanha com 12 companheiros. Os monges eram os grandes apóstolos dessa época remota, e penetraram península adentro evangelizando os habitantes, erguendo ermidas e fundando mosteiros.

Por volta de 610, São Galo construiu uma ermida em Montrel-en-Langast, antiga Langal. Depois seguiu para Querrien, onde fez brotar uma fonte “para que as pessoas possam fazer o pão” — a conhecida fonte de São Galo. Mandou fazer também um pequeno oratório e esculpiu com as próprias mãos uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus, para ser ali venerada. Mais tarde o oratório tornou-se capela, que infelizmente desabou, desaparecendo a imagem.

Este simples relato é tudo o que se sabe dos séculos VI e VII. Mais de 1000 anos se escoaram nas brumas do olvido, como ocorre às nuvens sopradas do oceano, que continuamente atravessam os céus da Bretanha.

Diálogo da Santíssima Virgem com uma pastorinha

Quinta-feira, 15 de agosto de 1652 (Luís XIV tinha apenas 14 anos), por volta das 18 horas. Nessa tarde de verão, a uns 20 metros da “Mare de Saint Gall” (pequeno lago de água represada, ou tanque), onde as ovelhas vão matar a sede, Jeanne Courtel, uma pastorinha de onze anos e meio, surda-muda de nascença, cuida do rebanho de seu pai no prado dos Fontenelles. De repente lhe aparece uma jovem e bela dama vestida de cetim branco, e diz:

— Encantadora menina, dá-me um dos teus carneiros!

— Esses carneiros não são meus, são de meu pai — respondeu a menina, que até então nunca havia pronunciado uma palavra.

— Então vai procurar teus pais... e pede um cordeiro para mim.

— Mas... quem guardará meu rebanho?

— Eu mesma. Eu cuidarei dos teus carneiros.

A menina foi correndo para a casa dos pais, onde todos ficaram pasmos ao ouvi-la dizer:

— Papai! Papai! Uma senhora veio me ver, e me pediu um dos cordeiros do senhor.

— Oh, minha filha! Se essa senhora te restituiu a palavra, daremos a ela todo o nosso rebanho!

— Ela disse também que é preciso remexer o lago, para encontrar a sua imagem enterrada e perdida há séculos.

— E o que mais ela te pediu?

— Ela diz que é a Virgem Maria, e que é preciso construir uma capela para Ela no meio da aldeia, para que os peregrinos possam vir em multidões para honrá-la.

— Se é verdade o que dizes, pediremos ao bispo que nos permita construir um santuário para Ela — respondeu o pai, visivelmente emocionado pelo milagre.


O milagre ocorrido com a pequena Jeanne deixou estupefato o vilarejo, como facilmente se pode imaginar. O pároco de Prénessaye, Olivier Audrian, a cuja paróquia pertence Querrien, foi avisado e mandou pessoas de confiança verificarem o ocorrido.

Tudo se passou rapidamente. Nossa Senhora apareceu uma segunda vez e insistiu:

— Eu sou a Virgem Maria, escolhi este lugar e quero que se construa uma capela no centro do vilarejo.

A pastora, seus pais e vizinhos foram ao pároco confiar a mensagem da “belle Demoiselle”. Messire Audrian, perplexo e confuso, embora constatando a cura da surda-muda, continuava céptico e pretendia falar com o bispo.

Nova aparição, em que a pequena Joana contou à bela Senhora as reticências do pároco. Para dar uma prova da credibilidade do seu pedido, Ela ordenou que se vasculhasse a mare de São Galo, onde se encontraria a sua imagem que outrora ali foi venerada. Assim, mais de mil anos depois de seu desaparecimento, no dia 20 de agosto de 1652 reencontrou-se a imagem esculpida por São Galo, em perfeito estado, sem umidade nem estragos. A partir de então, milagres e curas começaram a realizar-se.

A pastora voltou à carga:

— É preciso construir a capela.

Mas o pároco resistia. Nossa Senhora apareceu ainda uma vez, e transmitiu outra ordem:

— Já que o pároco não quer se ocupar da construção, procure o bispo, que dará ouvidos à mensagem e tomará as providências necessárias.

Vilarejo torna-se centro de peregrinações

Efetivamente, Dom Denis de la Barde, Bispo de St. Brieuc, amigo de São Francisco de Sales, convenceu-se da veracidade das aparições, após as devidas pesquisas, e anunciou no dia 8 de setembro daquele mesmo ano de 1652, festa da Natividade de Nossa Senhora, que iria a Querrien no dia 11 seguinte. A pedra fundamental foi colocada, e quatro anos mais tarde a capela foi entregue ao culto.

A invocação de Nossa Senhora de Toda Ajuda provém da imagem de Nossa Senhora que São Francisco de Sales, então bispo de Genebra, entronizou em Paris em janeiro de 1618, sob a mesma invocação. Foi Monseigneur de la Barde que, por veneração a São Francisco de Sales, quis atribuir essa invocação à Virgem de Querrien.

A imagem esculpida por São Galo, entretanto, foi criminosamente destruída pelos partidários da Revolução Francesa! Hoje se venera em Querrien uma inocente e bela Virgem de princípios do século XVIII.

Situado a cerca de 70 km a oeste de Rennes, e a mais de 400 km de Paris, Querrien tornou-se um importante centro de peregrinação. Tem hoje em torno de 1.700 habitantes. Na época das aparições, eram entre 200 e 300. Em agosto e setembro ocorrem os “pardons”, uma forma tradicional de comemorar a festa de Nossa Senhora ou de algum santo, com procissões, festejos e grande afluxo aos sacramentos.

1 de jan. de 2011

Encontrando a verdade da fé em um canto gregoriano

Descrição de Paul Claudel sobre seu retorno ao catolicismo depois de ouvir o Magnificat na catedral de Notre-Dame de Paris.

Nasci em 6 de agosto de 1868. Minha conversão ocorreu em 25 de dezembro de 1886. Eu tinha, portanto, dezoito anos. Mas o desenvolvimento de meu caráter, nesse momento, já estava muito avançado. Fui educado, ou melhor, instruído, primeiramente, por um professor livre, em colégios (leigos) de província, e por fim no Liceu Louis-le-Grand.

Desde meu ingresso nesse estabelecimento, tinha perdido a fé, que me parecia irreconciliável com a pluralidade dos mundos. A leitura de um livro de Renan, forneceu novos pretextos a esta mudança de convicções que, aliás, tudo que havia em torno de mim facilitava ou encorajava.

Todos os pretensos grandes homens deste século em ocaso se tinham distinguido por sua hostilidade à Igreja. Renan imperava.

Aos dezoito anos, portanto, eu acreditava no que cria a maioria das pessoas cultivaddas desse tempo. Este mundo seria um encadeamento rígido de efeitos e causas, que a ciência depois de amanhã iria desvendar perfeitamente.

Aliás, eu vivia na imoralidade e, pouco a pouco, eu cai num estado de desespero. Este era o infeliz menino que, no dia 25 de dezembro de 1886, foi a Notre-Dame de Paris, para acompanha os ofícios natalinos. Eu começava, então, a escrever, e me parecia que, nas cerimônias católicas, consideradas com um diletantismo superior, eu encontraria um excitante apropriado e matéria para alguns exercícios decadentes. Foi nessas disposições que, acotovelado e empurrado pela multidão, eu assistia à missa solene.

Depois, não tendo nada de melhor para fazer, voltei à recitação das Vésperas. Os meninos da matriz em seus trajes brancos, e os alunos do pequeno seminário de Saint-Nocolas-du-Chardonnet que os assistiam, estavam cantando o que mais tarde soube ser o Magnificat. Eu estava de pé dentro da multidão, perto da segunda coluna, à entrada do coro, à direita do lado da sacristia. E então ocorreu o acontecimento que domina toda a minha vida.

Em um instante, meu coração foi tocado, e eu acreditei. Acreditei, com tal força de adesão, com tal elevação de todo o meu ser, com uma convicção tão possante, com tal certeza que não deixava espaço para nenhuma espécie de dúvida que, depois, nenhum livro, nenhum raciocínio, nenhum acaso de uma vida agitada puderam abalar minha fé, nem, a bem dizer, tocar nela. Tive de repente o sentimento dilacerante da inocência, da eterna infância de Deus. Uma revelação inefável.

Tentando - como o fiz freqüentemente – reconstituir os minutos que se seguiram a este instante extraordinário, encontro os elementos seguintes que, entretanto, formavam um só raio, uma única arma de que a Providência divina se servia para atingir, por fim abrir, o coração de uma pobre criança desesperada: «Como são felizes as pessoas que crêem! Mas, e se fosse verdadeiro? É verdadeiro! Deus existe, Ele está lá. É como eu sou, é um ser tão pessoal como eu! Ele me Ama! Ele me chama.» As lágrimas e soluções tionham vindo e o cântico tão tenro do «Adeste Fideles» aumentava ainda minha emoção.

Fonte: Ecclesia, Lectures chrétiennes, Paris,, nº 1, abril de 1949, PP. 53-58. Apud: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. A Inocência Primeva e a Contemplação Sacral do Universo no Pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira. São Paulo, Artpress, 2008, p. 230-231.

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REFLITA

Ter uma vida positiva é ter consciência que o universo precisa de você; é lutar pelos SONHOS de maneira determinada; é crescer sem precisar diminuir ninguém; é ter a verdade como um principio vital; é usar o poder da ousadia construtiva; é saber agradecer e perdoar, fraterna e totalmente; é priorizar a família; é viver cada dia de uma vez, sendo alegre no presente e otimista no futuro; é respeitar o próprio corpo; é se preocupar com os mais carentes; é preservar a natureza; é não se abater nos momentos de dor; é jamais perder a esperança; é ter auto estima; é ser rico em humildade; é sempre fazer a sua parte...Pois quando você faz a sua parte tenha certeza de que Deus fará a parte dele.

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