A Basílica de São Pedro (em
italiano Basilica di San Pietro in Vaticano) é uma grande
basílica na
Cidade do Vaticano, em
Roma. É a segunda maior de todas as igrejas católicas
[1], e talvez a mais famosa e mais visitada das igrejas cristãs do mundo.
Cobre área de 23000 m² e pode albergar mais de 60 mil pessoas. É dos lugares mais sagrados do
Catolicismo. A construção começou em
1506 e terminou em
1626 sendo parcialmente erguida com dinheiro angariado pela venda de
indulgências (ver
Papa Leão X).
Recentemente foi comprovado que a Basílica guarda o túmulo de
São Pedro embaixo do altar principal. Diversos outros
papas também estão ali enterrados.
Fica na
Praça de São Pedro, desenhada por
Bramante, com contribuições de muitos outros artistas do
Renascimento e do
maneirismo, como
Michelangelo,
Rafael e
Bernini.
O edifício atual, com estrutura
renascentista e
barroca, foi erguido sobre outro edifício levantado por ordem do imperador
Constantino em
319, sobre o túmulo do
apóstolo Pedro, como um memorial. A escolha do sítio e a inclusão do túmulo não só exigiu que o edifício fosse orientado para oeste, mas também que a necrópole antiga fosse aterrada, sendo construídas muralhas de suporte para criar uma enorme base que servisse como alicerce. Na plataforma, construiu-se então a basílica, com nave central e quatro naves laterais, ricamente adornada com
afrescos e
mosaicos e um grande
átrio dianteiro, com
colunas. Muitas vezes alterado e restaurado, o edifício de Constantino, conhecido como velha igreja de São Pedro, sobreviveu até o início do
século XVI.
Nada sobrou da igreja de Constantino, que pode entretanto ser quase totalmente reconstruída por descobertas arqueológicas, descrições de peregrinos, desenhos antigos. Como em quase todas as igrejas da antiguidade, seguiu-se o modelo da basilica cívica romana: um salão retangular, dividido em nave central e naves laterais, que oferecia espaço bastante para a congregação dos fiéis. As cerimônias no
altar eram realizadas na ábside ao final da nave central, bem visíveis a todos. Havia
transeptos, uma
ábside na extremidade ocidental, um grande átrio.
Um afresco do
século XVI na igreja de
San Martino ai Monti nos dá uma idéia aproximada da aparência interior, com seu teto em madeira, mas ignoramos tudo sobre estátuas ou pinturas.
Durante o exílio dos papas em
Avignon, de
1309 a
1377, ficou muito deteriorada e perdeu-se grande parte de sua magnificência. O desejo de uma igreja de grandiosidade apropriada para servir à cristandade, assim como a transferência da residência papal para o
Vaticano, fez nascer planos de uma igreja nova. Sob o papa
Nicolau V (pontificado de
1447 a
1455)os trabalhos tiveram início num coro novo e no transepto, mas foram logo abandonados por falta de recursos.
No pontificado de
Júlio II (
1503 a
1513) decidiu-se afinal derrubar a igreja velha e em
18 de abril de
1506 Bramante recebeu o encargo de desenhar a nova. Seus planos eram de um edifício centralmente planificado, com um domo colocado sobre o centro de uma cruz grega (com braços de idêntico tamanho), forma que correspondia aos ideais da Renascença por copiar a de um mausoléu da antiguidade.
Um século mais tarde o edifício ainda não estava completado. A Bramante sucederam, como arquitetos,
Rafael,
Fra Giocondo,
Giuliano da Sangallo,
Baldassare Peruzzi,
Antonio da Sangallo. O
Papa Paulo III (pontificado de
1534-
1549) em
1546 entregou a direção dos trabalhos a
Michelangelo. Este, aos 72 anos, deixou-se fascinar pela cúpula, concentrando nela os seus esforços, mas não conseguiu completá-lo antes de sua morte em
1564. O
zimbório é visível de toda a cidade de Roma, dominando seus céus. Tem diâmetro de 42 m, ligeiramente menor ao domo do
Panteão, mas é mais imponente por ser muito mais alto, com 132,5 m. Graças a seus planos e a um modelo em madeira, por seu sucessor Giacomo della Porta foi capaz de terminá-lo com ligeiras modificações, apenas. O modelo segue o da famosa cúpula que
Brunelleschi ergueu na
catedral de Florença e cria impressão de grande imponência. A diferença é que, ao contrário do que
Michelangelo planejou, não se trata de uma cúpula semicircular mas afunilada, criando um movimento de impulso para cima até culminar na lanterna cujas janelas, inseridas em fendas entre duas colunas, deixam a luz inundar o interior. Terminada em
1590, ainda é uma das maravilhas da arquitetura ocidental.
Vignola,
Pirro Ligorio,
Giacomo della Porta continuaram os trabalhos na basílica.
Mudanças na liturgia, introduzidas pelo
Concílio de Trento, fizeram necessárias outras mudanças sob o pontificado do
Papa Paulo V (
1605 a
1621), que encarregou
Carlo Maderno de aumentar para o leste o edifício, aumentando a nave e criando assim uma cruz latina. Completou também em
1614 a famosa fachada.
O
Papa Urbano VIII dedicou a nova igreja em
18 de novembro de
1626, precisamente 1.300 anos depois da data em que a primeira basílica fora dedicada.
Em
1629,
Gian Lorenzo Bernini, agora o arquiteto principal, começou a construir as torres sineiras na fachada, que ruiram por deficiências estruturais. Trinta anos mais tarde Bernini redesenharia a Praça de São Pedro, mudando alguns aspectos do domo de Michelangelo e, sobretudo, unificando todos os edifícios em um conjunto harmonioso.
Os trabalhos terminaram quando se acrescentou uma sacristia, sob o pontificado do
Papa Pio VI (
1775-
1799).