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10 de abr de 2009

Padre Joãozinho explica a Liturgia da Semana Santa

O Blog Curiosidades Católicas vem através da entrevista de Padre Joãozinho ao site Canção Nova Notícias, mostrar a todos a riqueza da Liturgia da Semana Santa, vejam:

Canção Nova Notícias
''Jesus veio nos trazer a vida nova, a partir da fragilidade da morte''.
Com a celebração do Domingo de Ramos no último dia 5, a Igreja, em todo mundo, deu início à Semana Santa. Por ser a "semana maior" da cristandade, os fiéis são convidados a conhecer o que celebram.


O Doutor em Teologia e diretor da Faculdade Dehoniana, de Taubaté, Padre Joãozinho, scj, explica a Liturgia desta semana, seus símbolos e significados.



noticias.cancaonova.com - Em que consiste a Semana Santa?


Padre Joãozinho - Inicialmente, devemos atentar que, na verdade, não é uma semana que é santa, mas é uma semana de santificação, em que devemos ficar mais santos. Assim, a dita Semana Santa parte da Vigília Pascal e daquela ceia celebrada por Jesus antes de sua morte e Ressurreição. Para os judeus, a Páscoa se tornou uma festa anual. Já para os cristãos, estava muito bem definido, inicialmente, se deveria ser anual, mas acabou se tornando semanal. No Ocidente católico, ela se torna diária, porque a Ressurreição é permanente. Assim, a Semana Santa, a Quaresma e todo ano litúrgico nascem desse embrião, que é o fato marcante da nossa fé, a Ressurreição de Cristo.





noticias.cancaonova.com - E a maneira de celebrar também foi mudando com o passar do tempo?


Padre Joãozinho - A celebração da fração do pão - como era chamada no início por ser uma grande partilha – era precedida por diversas orações. Após a fração também faziam orações, mas no meio era uma grande festa, um grande encontro da comunidade e se prolongava por muito tempo. Aos poucos, a festa foi sendo deslocada para o final e se chamou ágape. E a ação de graças se tornou a parte mais propriamente litúrgica e, hoje, nos a chamamos de Eucaristia. Em grego é eukharistía, ou seja, era aquela oração de ação de graças, que hoje nós rezamos de modo muito especial na Oração Eucarística. Lia-se a Palavra de Deus, rezavam as preces, professavam a fé, mas isso foi progredindo, ao longo dos séculos, até se tornar no Ocidente essa liturgia que nós conhecemos por Missa. No sábado, a Vigília Pascal é muito mais longa porque ela é a mãe de todas as celebrações e deveria girar em torno de uma figura fundamental, o catecúmeno, isto é, aquele que se converteu e, depois, se preparou e recebeu uma catequese durante a Quaresma, para ser batizado na Vigília Pascal. Hoje em dia, muita gente pergunta "por que essa Missa de sábado é tão longa?", mas não é uma Missa de sábado, é uma Vigília Pascal. É a mãe de todas as celebrações.



noticias.cancaonova.com - O que é o Tríduo Pascal e quais celebrações compreende?


Padre Joãozinho - Eu sempre pergunto aos meus alunos de Liturgia: “Quantos são os dias do Tríduo Pascal?”. Eles começam a responder contando a quinta-feira, sexta, sábado e domingo, mas o resultado é quatro. E outros perguntam: “E a Missa do Crisma, pela manhã, dos padres com o bispo, na Catedral? Faz parte do tríduo pascal?”. A resposta é a seguinte: esta Missa do Crisma é a última celebração da Quaresma. A partir da Ceia da Quinta-feira Santa, com a instituição da Eucaristia à noite, começa o primeiro dia e vai até a sexta-feira, mais ou menos ao meio dia. Isto porque o dia litúrgico não começa a zero hora e vai até à meia noite, como o nosso, porém começa numa véspera e vai até a outra véspera. Segue o ritmo do sol e é assim o dia judaico. Por isso que nós rezamos as vésperas, na Liturgia das Horas. Na véspera já se celebra o que vai acontecer no dia seguinte. Por exemplo, em honra à Santa Teresinha se reza as suas vésperas, antecipando o que se comemora no seu dia. Assim, o tríduo começa na quinta, é o dia da ceia, mas também já é o dia da morte, do sofrimento e do sacrifício, que vai da sexta até o sábado, pelo meio dia. Temos também um segundo dia de morte, sepultura e silêncio, mas se formos pensar, o primeiro dia já é o dia da morte, porque mesmo instituindo a Eucaristia, depois tem o translado, o altar é desnudado e fica até a celebração da sexta. Depois, começa um grande silêncio, que, muitas vezes, é esquecido. No sábado as pessoas não sabem o que fazer, contudo é um dia de retiro. É um dia do túmulo, da ausência de Deus, um Deus que desapareceu. É a "celebração da ausência" e, na véspera do domingo, já começamos a celebrar o dia da vida, da Ressurreição, que vai se prolongando até o domingo de manhã com as Missas de Páscoa e, a rigor, o domingo de Páscoa a tarde já não seria mais domingo. Tanto que a Igreja demorou muito para permitir Missa vespertina de domingo, existindo tal possibilidade por motivos pastorais.



noticias.cancaonova.com - Quando tem início a Semana Santa?


Padre Joãozinho - Com o Domingo de Ramos e, em alguns lugares, se prolonga com uma série de exercícios de piedade popular. Eu estive celebrando, por muito tempo, em Minas Gerais, onde acontecem as procissões, como a do Encontro, as Vias Sacras e uma série de outras orações que não estão previstas na Liturgia. O Papa mesmo realiza a Via Sacra no Coliseu. Contudo, a rigor, não faz parte da Liturgia, pode ser celebrada em qualquer dia do ano. A Semana Santa, portanto, começa no Domingo de Ramos e vai até o Domingo de Páscoa e, depois, ela se prolonga na qüinquagésima pascal. São 50 dias de Páscoa. Primeiramente, há a oitava da Páscoa que são oito dias em que a Igreja continua repetindo o mesmo dia de Páscoa. Então, por oito dias se repete o mesmo grito: “O Senhor ressurgiu! Aleluia”. E a qüinquagésima pascal termina em Pentecostes, quando vem o Espírito prometido pelo Ressuscitado. Praticamente, nós temos uma semana de Páscoa, uma repetição do que aconteceu por ser muito importante. Jesus está vivo, é Ressuscitado e, com a Semana Santa, a oitava da Páscoa e os dias até Pentecostes, temos quase 60 dias de celebração de tempo santo e tempo pascal.



noticias.cancaonova.com - Na Quinta-feira Santa, muitas vezes, se dá mais atenção ao Rito do Lava Pés, do que a Instituição da Eucaristia, qual o sentido dessas duas celebrações?


Padre Joãozinho - Deve-se tomar cuidado porque o Lava Pés e a Instituição da Eucaristia estão, na verdade, conexos, porque o Cristo que serve lavando os pés, reconhecendo a necessidade de ser disponível para com o irmão e ser solidário, é o mesmo Cristo que se faz Pão, o Pão da Solidariedade e Pão do povo. Ele se entrega até a última gota de sangue e água na cruz. Então, este gesto já é a antecipação do sacrifício na Cruz. Por isso, sacrifício é um serviço. O evangelista Marcos disse isso, no capítulo 10, versículo 45. Jesus veio para servir, e não para ser servido, e dar a vida em resgate de muitos. É serviço e resgate, serviço e sacrifício, serviço e entrega. Tanto que o Evangelho de João não tem a Instituição da Eucaristia, mas tem o Lava Pés. Se lermos os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e colocá-los em paralelo, veremos que apresentam a Instituição, e João trouxe o Lava Pés. Por isso que a Liturgia da Quinta-feira Santa coloca o Lava Pés joanino e a Instituição dos outros evangelistas.



noticias.cancaonova.com - Quais são os símbolos oficiais da Páscoa?


Padre Joãozinho - É difícil fazer um elenco oficial de símbolos, mas, liturgicamente, a Páscoa é cheia de símbolos, e outros são muito popularescos, como é o caso do ovo e coelho. Um mês antes da Páscoa, eu entrei no supermercado e já estavam à venda os ovos de chocolate. As igrejas ainda nem pensaram em se ornamentar para a Semana Santa e os supermercados já ornamentados para o marketing da Páscoa. Não vi nenhuma imagem de Jesus Cristo. Mas no Domingo de Ramos já temos o ramo como símbolo. Eu tenho uma certa dúvida quanto aos ramos por motivos ecológicos, mas sugiro que sejam ramos pequenos, e acho que um dia a Igreja vai permitir ramos que não sejam de árvores. Contudo, o ramo é um símbolo muito curioso, porque o mesmo povo que diz “Hosana ao Filho de Davi” com o ramo na mão, depois, com um outro ramo na mão, que é a cruz, crucifica-o. É uma celebração contraditória que sintetiza toda a Semana Santa. Depois, ao longo da semana, quando começa o Tríduo Pascal, teremos na Quinta-Feira Santa a água, utilizada no Lava Pés. Um outro símbolo já na sexta, é a cruz. Assim como a água do Lava Pés e a Eucaristia fazem a força simbólica da quinta-feira, na sexta nos reunimos em torno da cruz. E é o único dia do ano em que não há Missa. Eu celebro para as sacramentinas, em Taubaté, que são religiosas de clausura, e é único dia em que elas não tem Adoração com o Cristo exposto. Elas sentem saudades, pois ficam 24 horas e 364 dias por ano em Adoração perpétua. Mas na sexta-feira, a Igreja traslada a Eucaristia para um altar lateral, justamente para simbolizar esta ausência de Cristo. No Sábado Santo, são muitos os símbolos. Começando pela música, como o Exulte. Em muitos lugares, há um dificuldade em cantá-lo, mas deve ser proclamado pelo diácono. Há também o catecúmeno, que vai receber o batismo e ser um outro Cristo. A Vigília Pascal deveria terminar no domingo de manhã e já seria a celebração de domingo de manhã. Como isso não é possível para muitos, temos a Missa de domingo de manhã. Nesta, não há nenhum símbolo em especial, a Liturgia é muito discreta em ficar multiplicando símbolos, porque o coração de tudo isso é a Palavra que se fez carne e se manifestou a nós, o Cristo Ressuscitado.



noticias.cancaonova.com - E quanto aos símbolos populares?


Padre Joãozinho - Muito se associa o coelho com os ovos, mas coelho não põe ovo. Porém, o coelho seria o símbolo da Ressurreição, porque é madrugador e por acordar muito cedo, lembra o Cristo que ressuscitou de madrugada. Já o ovo é um embrião. Outro dia, eu estava vendo uma notícia de uma tentativa de preservação de ovos de tartaruga. Ali estava um filhote em potencial que poderia viver 100 anos. Mas, se alguém chega e põe uma cadeira de praia em cima, os ovos são destruídos. O ovo é frágil, mas ao mesmo tempo é forte. Ele é símbolo de um embrião de vida e Jesus veio nos trazer a vida nova, a partir da fragilidade da morte. Veio romper o sepulcro e se manifestar em vida plena, em vida total e eterna. Quando um pintinho, por exemplo, rompe com a casca de ovo, nos lembra o Ressuscitado saindo do sepulcro.

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